Depois de filmes exemplares no currículo como Boogie Nights – Prazer Sem Limites, Magnólia e Embriagado de Amor, o diretor Paul Thomas Anderson dá vida ao seu épico Sangue Negro. Com base na família, religião e cobiça, Anderson extrai atuações extraordinárias de seu elenco (destaque para Daniel Day-Lewis – ganhador do Oscar – e Paul Dano) e poder dos acordes da trilha sonora de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, ao adaptar a novela Oil de Upton Sinclair. O projeto prova o talento nato do cineasta e o coloca num patamar mais alto na categoria dos grandes diretores da nova geração ao lançar esta obra-prima.
A Pixar é um dos poucos estúdios de animação que humanizam seus roteiros ao ponto de abstrair os recursos tecnológicos de suas produções. Com poucas falas, o robô WALL·E conquista os espectadores com seus movimentos, sons e expressões no mundo solitário que vive até encontrar Eve, uma máquina programada com missão de encontrar vida na Terra. É uma versão de Chaplin animado em computação para as crianças que já nascem com a tecnologia nas veias.
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, dirigido pelo veterano Sidney Lumet, é o típico projeto que quanto menos se sabe, melhor é. A história de dois irmãos que precisam de dinheiro e planejam assaltar uma joalheria para consegui-lo, é uma experiência extremamente desconfortante para quem acompanha esse drama familiar e o rumo que segue.
Onde os Fracos Não Têm Vez é o trabalho mais árido e maduro dos irmãos Coen. Não apenas apresentaram a sua obra-prima ao mundo, como um dos vilões mais aterrorizantes em anos: Anton Chigurh (vivido por Javier Bardem). A ausência de trilha sonora, sem a música crescente para ressaltar a intensidade das cenas, e escassez de longos diálogos faz com que o filme leve o seu espectador em direção ao inesperado.
A história real de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), editor da revista Elle que sofre um derrame que paralisa todo o seu corpo, menos a pálpebra esquerda, é uma experiência única através da câmera do diretor Julian Schnabel. Nos minutos iniciais o espectador vive o mundo de desconforto de seu protagonista, quando imerso nos seus monólogos e no seu corpo.
Esqueça o Steve Carell de The Office e O Virgem de 40 Anos. Dan (Carell) é um viúvo, pai de três meninas e colunista. Num final de semana, quando a família se reúne numa casa no interior, ele conhece numa livraria uma mulher que o interessa (Juliette Binoche). Mas, sim, ela é a namorada de seu irmão. Com despretensão, melancolia, riso bobo e música de Sondre Lerche, Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada é um tesouro que pode passar despercebido aos olhos de muitos.
Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, pela primeira vez temos o homem-morcego ofuscado pelos vilões da fita. O filme tem a seu favor um grandioso elenco, um roteiro que sintetiza humor da anarquia, boas seqüências de ação com doses de intensidade e insanidade (destaque para a cena do hospital) e diálogos vivos. Sim, Oscar para Heath Ledger.
Irina Palm nos faz engolir seco. Maggie (a extraordinária cantora / atriz Marianne Faithfull) tem cerca de 50 anos e leva uma vida tranqüila num subúrbio londrino. Quando seu neto é diagnosticado com uma doença rara e necessita de um transplante de emergência, o único trabalho que ela consegue é num lugar chamado ‘Mundo Sexy’, graças às suas mãos macias.
Após o Oscar conquistado com Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen voltam com a temática que os consagraram: o humor negro. Com um elenco hollywodiano competente, Queime Depois de Ler é uma comédia irônica afiada, despretensiosa, sensível e, como de praxe, imprevisível.
Juno MacGuff (a carismática Ellen Page) é uma jovem de 16 anos que acidentalmente engravida do amigo loser Paulie Bleeker (Michael Cera). A fórmula indie do roteiro de Diablo Cody é uma mistura de diálogos ácidos com personagens doces e antenados em cultura pop. E é isso que faz de Juno uma aborrescente tão comum e interessante como qualquer outra garota.
Numa época em que o cinema de terror sobrevive de continuações e remakes, uma produção espanhola revitaliza e dribla todos os clichês do gênero de forma espetacular e perturbadora. A estréia de Juan Antonio Bayona é controlada em cada take assustador, com uma atuação dinâmica de Belén Rueda, na históra de uma mãe em busca de seu filho desaparecido.
Na Romênia dos anos 80, duas amigas negociam o aborto de uma delas. De forma crua e fria, os personagens se vêem obrigados a negociar o preço das decisões. Valores como a amizade, a cumplicidade e o segredo, num país regido pelo comunismo, entram em conflito quando o plano é executado.
Envelhecer é uma arte. Em Chega de Saudade, a diretora Laís Bodanzky acompanha as histórias vividas por uma série de personagens que passam a noite num salão de baile da terceira idade. Histórias de personagens vividos por Tônia Carrero, Betty Faria, Leonardo Vilar e Cássia Kiss ganham forma e cor ao som da música de Elza Soares.
Com elementos do cinema de Richard Linklater (Antes do Amanhecer / Antes do Pôr-do-Sol), Julie Delpy transforma seu 2 Dias em Paris numa versão européia e repaginada de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen. A última cena (vídeo), quando a protagonista resume a discussão do casal, é um dos meus momentos favoritos do ano. A realidade romântica é dura.
Na Natureza Selvagem é o filme mais ambicioso do ator (que aqui assina a direção) Sean Penn. Conta a trajetória do jovem Christopher McCandless (o talentoso Emile Hisch) que após se formar no colégio, abandona a vida junto aos pais e decide cair na estrada. É uma espécie de Sem Destino para uma geração que nunca assistiu ao filme.
As músicas de Glen Hansard e Markéta Inglová, que são encarregados de atuarem aqui também, são apresentadas em um conto urbano de como essas composições ganharam vida no encontro da dupla. Antes de ser uma história de amor, Apenas Uma Vez é uma história de amizade e um sonho em comum que nasce através dessa amizade musical.
ps: excelente 2009 para todos. até porque 2008 já era.
Após ser dispensada de sua antiga gravadora, Nikka Costa voltou para o estúdio e decidiu gravar Pebble to a Pearl de forma independente. Aqui, passeia livremente pelos estilos que adota em seus álbuns anteriores – uma fusão de pop soul (“Stuck to You”), blues (“Love to Love You Less”), funk (“Keep Pushin’”) – com uma aura old school condizente ao seu vocal poderoso. Pebble to a Pearl é o seu trabalho mais verdadeiro. Pelo menos, é o que se pode dizer da faixa autobiográfica e melodicamente explosiva “Can´t Please Everybody”. Nikka é uma pérola entre os pedregulhos.
Dica de download: “Can’t Please Everybody” (MP3/vídeo), “Keep Wanting More” e “Keep Pushin’”
A aventura folktrônica da argentina Juana Molina vaga por momentos conturbados (“Los Hongos de Marosa”) e de extrema serenidade (“Vive Solo”). Com sua sonoridade minuciosa (de elementos quase imperceptíveis nas músicas), ágeis acordes de violão e loops incessantes, Un Dia é calibrado de harmonias universais e resultado hipnótico.
Dica de download: “Un Día” (MP3), “Quien?” (Suite) (MP3) e “Los Hongos de Marosa”
O indie-rock dos nova-iorquinos do TV on the Radio atinge momentos épicos no fogo cruzado entre a penca de referências que a banda traz na bagagem. Seja no rap dançante à base de sintetizadores de “Dancing Choose”, no disco-punk de “Red Shoes” ou na inteligível balada ao piano e cordas de “Family Tree”. O excesso de fórmulas proporciona a evolução constate do grupo.
Dica de download: “Dancing Choose” (MP3), “Stork & Owl” e “Crying”
For Emma, Forever Ago foi gravado por Justin Vernon (Bon Iver) numa cabana em Wisconsin durante um período de isolamento após uma separação. Sem muita tecnologia, o disco é rotulado como rústico pelas suas improvisações e o fato do músico se responsabilizar por todos os instrumentos. Há um encantamento na solidão de Vernon e suas composições que parecem terem saído de uma fita demo.
Dica de download: “Lump Sum”, “Creature Fear” (MP3) e “Flume”
O vocal melancólico de Joan Wasser sobrevive à melodias nebulosas conduzidas por um piano sofisticado que evoca Nina Simone. Em seu segundo disco, apresenta-se mais obscura do que no antecessor (Real Life), devido à morte de sua mãe, celebrando o amor (“To Be Loved”) e consentindo a perda (“To Be Lonely”). Vale destacar o dueto sublime com Rufus Wainwright em “To America”.
Dica de download: “Holiday”, “To Be Loved” (MP3) e “To Be Lonely”
Costumo dizer que Aimee Mann é o típico caso: “sempre a mesma. sempre diferente”. @#%&*! Smilers não é exceção. Suas melodias autênticas destacam-se nas letras que não apenas contam histórias, mas revelam a essência de seus personagens na voz da cantora.
Dica de download: “Stranger Into Starman”, “It´s Over” e “31 Today” (MP3)
O Little Joy carrega uma assinatura dos trabalhos de Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e de Fabrizio Moretti (bateirista brasileiro do Strokes) em seu indie de ares nostálgico. Todos os integrantes dão voz ao projeto, mas há um brilho especial nas canções com o vocal doce e sensual de Binki Shapiro (“Unattainable” e “Don’t Watch Me Dancing”). Destaque para a faixa “Evaporar”, a única inteiramente em português, feita por Amarante.
Dica de download: “The Next Time Around” (MP3), “Keep Me in Mind” e “Evaporar”
As influências do Vampire Weekend vão da música africana à new wave. De ritmos de dança do Congo ao pós-punk. Logo de cara, em “Mansard Roof”, faixa que abre o disco, estamos sujeitos às experimentações desse quarteto de Nova Iorque que por nenhum instante abandona a sabedoria da música pop (“A-Punk” / “Oxford Comma”) para rotulá-los como world music.
Dica de download: “Oxford Comma” (MP3), “Cape Cod Kwassa Kwassa” (MP3) e “Campus”
Jazmine Sullivan poderia ser mais uma entre várias artistas de R&B. Não bastasse a mão de Missy Elliott em seu single “Need U Bad”, o álbum se destaca por nenhuma faixa ter a mesma batida da anterior, sendo um refresco ao próprio estilo da cantora. Fearless inicia com ares de flamenco (“Bust Your Windows”), vaga por orquestrações clássicas (“Lions, Tigers & Bears”) e passeia pelos estúdios da Motown. É como se tivéssemos uma nova Mary J. Blige a caminho. E o futuro de Jazmine é promissor.
Dica de download: “One Night Stand” (escute), “Switch!” (escute) e “Call Me Guilty” (escute)
Com seu pop luxuoso e o reconhecimento através do single “Chasing Pavements”, a inglesa Adele encanta com sua voz “negra”. Em seu álbum de estréia 19, alusão à idade da garota, de cara é comparada à Amy Winehouse. Mas, a garota é mais otimista em seu canto do que a cantora de Back to Black. O seu talento está além da idade (de menina) se analisarmos as letras de canções como “Tired” e “Daydreamer”.
Dica de download: “Tired”, “Best for Last” e “Hometown Glory” (MP3)
Detours é trilhado por acontecimentos relevantes à Crow. Com seu pop folk de FM, dá voz para canções de protesto (“God Bless This Mess” / “Gasoline”) e crises pessoais, como o fim de um relacionamento em “Diamond Ring” e a luta contra o câncer na dolorosa “Make It Go Away”. Com produção de Bill Bottrell, responsável pelo sucesso de Tuesday Night Music Club, o disco recupera a boa forma da artista.
O pop psicodélico de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, uma dupla de Nova Iorque com seus vinte e poucos anos, é uma releitura dos tiozinhos do Flaming Lips. Do eletro funk alucinógeno de “Electric Feel” ao encontro de referências do Air e David Bowie em “Youth”, o duo obtém hits melodicamente intensos e distintos nesta estréia.
Movido por promessas (“Such a Beautiful Girl”), tristezas e relacionamentos que esfriam e chegam ao fim (My Baby…), o pop melódico de How to Walk Away é um testemunho no vocal polido de Hatfield. O trabalho avalia a solidão e as memórias que ficam com o término de um romance – como canta no pequeno duelo entre piano e guitarra de “Remember November”. Juliana é como canta: uma menina bonita, vivendo num mundo sujo.
Os arranjos grandiosos e composições bem resolvidas de Viva La Vida colocam o Coldplay no topo do mundo. Os temas de amor, guerra e paz das canções recebem vida nas orquestrações mescladas ao rock saturado (como a pintura que ilustra a arte do álbum) e na produção do lendário Brian Eno. Viva La Vida cumpre o objetivo de tirar Chris Martin e companhia de um mundo em preto e branco chamado X&Y.
Após uma década, um dos nomes mais simbólicos do trip-hop retorna à cena musical. Third, o terceiro álbum de estúdio de Beth Gibbons e seus amigos, não é exclusivamente um disco do gênero. Aventura-se por momentos eletrônicos (na bombante “Machine Gun”), folk (no violão dedilhado de “The Rip”) e até uma certa brasilidade no “mantra” que abre o trabalho.
A cara-metade do punk cabaret do Dresden Dolls lança seu primeiro trabalho como solista. Who Killed Amanda Palmer? é coeso na produção de Ben Folds que busca fugir das melodias assinadas pelo grupo. Temas delicados como estupro / aborto (“Oasis”), famílias desequilibradas (“Runs in the Family”) e fim de relacionamento (“Astronaut”) buscam fuga em canções que soam como se estivessem sendo extraídas à força de uma peça musical.
Se no início da carreira a islandesa Emiliana Torrini era tachada e comparada à sua conterrânea (Björk), seu terceiro trabalho continua desfazendo os atributos que a crítica lhe bordou. Com o reggae meloso da faixa título, o rock extasiado (“Jungle Drum”) e um pop folk sensível (“Birds”), a artista assume identidade própria com suas miscelâneas sonoras.
A parceria entre a atriz Zooey Deschanel e o músico M. Ward resulta num trabalho de fórmula simples. Volume One é uma homenagem ao pop dos anos 60 (“I Was Made for You”) e a música country (“Change Is Hard”) em acordes de piano e violão que predominam o clima nostálgico e agridoce do trabalho.
Dica de download: “Why Do You Let Me Stay Here?” (vídeo)
A produção sem grandes artifícios de Visiter contribui para a naturalidade e experimentalismo do trabalho. Com um violão bipolar e bateria marcada, o neo folk deste duo californiano encontra unidade na suavidade vocal e urgência dos instrumentos em composições questionam a existência de Deus e desenterram o passado de seus integrantes.
Este quinteto de Seattle, a terra do grunge, é um Arcade Fire fazendo escola com o Beach Boys. Brincam com harmonias vocais, como fica registrado na faixas “Sun It Rises” – que abre o álbum – e “Heard Them Stirring”. O “pop harmônico barroco”, como se definem, cria uma atmosfera aconchegante e de beleza natural nas melodias fundadas no folk / country / rock. Um exemplo é o violão cancioneiro dedilhado de “Tiger Mountain Peasant Song”.
808´s and the Heartbreaks é Kanye West garimpando a sensibilidade do álbum The Love Below, de Andre 3000 (do Outkast), e particularidades da cena pop dos anos 80. A morte da mãe e o fim de um relacionamento de seis anos resulta não apenas no trabalho mais pessoal do rapper, mas também em sua constante evolução musical.
Dica de download: “Paranoid”
#22. Sigur Rós
(Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust)
Com seu vocal infantil e melodias açucaradas, Lykke Li apresenta um pop fantasioso e carismático. A estréia da garota escandinava é marcada por jogos rítmicos de palmas e arranjos delicados que nunca explodem como deveriam, mantendo-a tímida – mas, exalando sensualidade – do início ao fim.
O quarto disco de Leona Naess é uma avalanche de emoções. As canções de Thirteens, gravadas num estilo caseiro, revelam perdas (“Learning As We Go” / “Unnamed”) pessoais da artista e a necessidade de lidar com a maturidade – mesmo que essa venha em uma mesa de bar na companhia dos melhores amigos (“Leave Your Boyfriends Behind”).
Dica de download: “Leave Your Boyfriends Behind” (vídeo)
O Brazilian Girls continua mais poliglota do que nunca. New York City, além de manter a qualidade dos álbuns anteriores, faz alusão às grandes cidades. É uma viagem multicultural que começa nas ruas camaradas de “St. Petersburg”, valseia num cabaret da capital alemã (“Berlin”) e encontra redenção na Espanha (“Mano de Dios”). Uma excursão pelo mundo em menos de 50 minutos.
Apesar das comparações com a M.I.A., Santogold não canta sobre guerrilhas e aposta num som mais urbano do que a rapper anglo-cingalesa. Do pop new wave de “L.E.S. Artistes” – com refrão à la Karen O – aos temas ska (“You’ll Find a Way”), Santi White pavimenta seu caminho vomitando estilo e ouro por onde passa.
Um DJ e produtor (Andy Butler), um vocalista impecável (Antony Hegarty), uma designer de jóias (Kim Ann) e uma cantora de soul (Nomi) é a formação do Hercules and Love Affair. Com seu som calcado na disco music e funk dos anos 70 (“Athene”), dance dos anos 80 (“You Belong”) e elementos do groove (“Hercules Theme”), essa combinação eclética encontra homogeneidade nas mãos de Butler.
#33. Marnie Stern
(This Is It and I Am It and You Are …)
A menina impaciente, de rosto angelical e vocal nervoso, transforma este trabalho num ambiente poluído por riffs furiosos em melodias que extraem uma porcentagem mínima da música pop. Com sua agilidade sonora, é impossível manter o espírito roqueiro inerte e não ser cativado pelo confronto musical da bonitinha.
A francesa Camille tem uma capacidade única: brincar livremente e criar esquisitices com a voz. Seu vocal funciona muito bem como percussão e não se limita a imitar bichinhos de estimação – como acontece na insana “Cats and Dogs” – ou superar os agudos de Mariah Carey – como revela em “Money Note”.
Dos últimos trabalhos de Beck, Modern Guilt é o mais acessível. A produção de Danger Mouse extrai um pop vintage (“Gamma Ray”) dos discos do Beach Boys, deixando que o artista mantenha o foco em suas composições e não exclusivamente nos artifícios sonoros. Destaque para a faixa que fecha o álbum, a pessoal “Volcano”, e o recado “I’m tired of people who only want to be pleased but I still want to please you”.
Confesso que prefiro a cantora Sia emprestando sua voz ao grupo britânico Zero 7. No entanto, o pop jazz melancólico de Some People Have Real Problems alcança uma maturidade ausente em seu trabalho anterior, marcado pelo hit “Breathe Me” (vídeo), revelando-a como uma das grandes promessas da música pop alternativa.
O DJ e produtor Girl Talk (Gregg Gillis), conhecido por suas colagens sonoras que embaralham hits bombantes e outros esquecidos, entrou na onda (quer pagar quanto?) do Radiohead e disponibilizou Feed the Animals para download. Um disco dançante para animar qualquer festa ao preço de U$ 0,00.
A estréia da galesa Duffy é bem arquitetada num charmoso pop-retrô. Com um jeitinho de Dusty Springfield e arranjos inspirados em Burt Bacharach, o álbum encanta pelo cuidado de Bernard Butler, fundador e ex-integrante do Suede, na produção e pela doçura da artista.
The Long Blondes é o Blondie do século XXI. Com influências dos anos 80, esse quinteto inglês aposta num rock que vem para falar do cotidiano de altos e baixos das pessoas. Kate Jackson, com seu vocal mutável, percorre pela urgência do punk (“Here Comes the Serious Bit”) e fragiliza (“Nostalgia”) ao revelar estórias de gente ordinária.
Com Bring Ya to the Brink, Cyndi Lauper conseguiu algo que sua carreira estava precisando: rejuvenescer. É um trabalho moderno e intenso, graças à produção de gente como Basement Jaxx (“Rocking Chair”), Scumfrog e Kleerup (“Lay Me Down”).
Com quase 30 anos de estrada, Michael Stipe e seus amigos mostram que estão mais vivos do que se imagina. Accelerate é um disco de rock fervoroso que respira através de guitarras altas e sujas das composições.
#01.Radiohead – “House of Cards”
Direção: James Frost
Clipe de “House Of Cards”
Se inovação é uma qualidade única nos trabalhos de Thom Yorke e companhia, seus clipes ganham o mesmo tratamento. Sem a utilização de câmeras, “House of Cards” foi capturado através de luzes estruturadas e 64 lasers à velocidade de 900 vezes por minuto. O resultado é único e impressionante.
A receita de Ratatouille está no humor refinado da animação. O diretor Brad Bird (de Os Incríveis) tem em mãos uma boa trama com um roteiro charmoso, auxiliado de um visual parisiense praticamente real. A história do ratinho Remy, que sonha em ser um chef de cozinha, com o toque de Midas da Pixar transforma Ratatouille num clássico instantâneo.
A direção de Sofia Coppola e a atuação de Kirsten Dunst imprimem em celulóide a vida de Maria Antonieta com um lirismo pop original e naturalidade capaz de humanizar a figura da Rainha francesa sem a atmosfera de documentário perfeito do History Channel. A capacidade de transportar os temas e atualizar as figuras históricas caracteriza esse projeto único – vaiado em Cannes – que seduz principalmente o seu público jovem. É isso que Maria Antonieta é, uma jovem como qualquer menina comum. Destaque para a trilha sonora espetacular que vai de Bow Wow Wow a New Order.
Conclusão: À Prova de Morte e Planeta Terror não funcionam separadamente. A unicidade quebrada pelos intere$$es com o lançamento no Brasil, descaracteriza o projeto de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A homenagem dos cineastas aos filmes de horror dos anos 70, traz uma Rose McGowan excepecional em Planeta Terror, enquanto que Rosario Dawson e Kurt Russell brilham no filme mais “menininha” do ano, À Prova de Morte.
O diretor Todd Field revela a (im)perfeição do subúrbio neste filme baseado no romance de Tom Perrotta. Com atuações precisas e um narrador em off de efeito literário, este conto de auto-destruição e paixão desenha-se na intensidade de Kate Winslet e no falso moralismo dos moradores da cidade. É cutucar mais uma vez no american way of life, mas sem a tragicomédia de Beleza Americana.
Wes Anderson volta às telas com a trama de três irmãos – interpretados por Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman – e uma viagem à Índia na tentativa de reaproximação após um ano da morte do patriarca. O filme encontra perfeição nas atuações de seus atores, mas um dos grandes momentos é de Brody numa das cenas mais impactantes do ano. É comédia bem sucedida, no melhor estilo refinado, de Anderson.
O Hospedeiro é um filme de monstro e pode lembrar momentos trash de Godzilla. Mas, é um bom filme de monstro que se sustenta de forma equilibrada na fórmula da comédia, da política e do drama familiar. A seqüência inicial, com o surgimento da criatura, é uma das coisas mais bem arquitetadas, no quesito de prender a atenção, e vale destacar os efeitos visuais aqui. Grude-se no sofá e sinta uma ar de novidade, mesmo quando tudo sobre filmes de monstro já foi feito.
Com uma edição aprimorada e um direção cuidadosa – com o domínio de Paul Greengrass – a terceira parte da série Bourne se torna um dos filmes de espionagem mais surpreendentes dos últimos tempos. É como fosse ligado na tomada no ínicio e desplugado apenas no final dos créditos. A tensão (na Estação de Waterloo) e as cenas de perseguições (como a do Marrocos) são um dos grandes atrativos desse filme de Ação com “A” maiúsculo. E Matt Damon parece o cara certo para o papel, não?
A diferença de Superbad – É Hoje entre várias fitas direcionadas ao público teen está no equilíbrio entre a naturalidade e humor escrachado. Sim, é sobre adolescentes que querem encher a cara e perder a virgindade o mais rápido possível. Mas além de tudo, é a despedida de uma fase de inocência.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida dos Outros toma partida antes da queda do Muro de Berlim. A Stasi, polícia secreta a serviço dos comunistas, não deixa oportunidades para que exista espaço para a resistência. Mas, antes de qualquer relação histórica, a qualidade desse projeto é trabalhar as relações humanas e, a partir disso, desenvolvê-las em seus personagens.
Conhecida pelo seu papel na TV como Felicity, Keri Russel exorciza os fantasmas do mundo televisivo e acerta em cheio em sua carreira cinematográfica com este delicioso Garçonete. Jenna é garçonete num restaurante local e descobre que está grávida. Mas, a sua felicidade é inexistente, pois não ama o marido controlador (e futuro pai da criança) com quem convive. Bacana é que cada tragédia pessoal na vida da protagonista acaba virando nome de uma torta, como a “Torta Não Quero o Bebê de Earl”.
Paris, Te Amo é um filme coletivo sobre a cidade do amor e suas facetas. Com diretores e atores de prestígio, o grande desafio é apresentar em cinco minutos um encontro romântico, seja ele na comunicação ou na falta dela, com a Cidade Luz. Destaque para o curta de Alexander Payne com a competente Margo Martindale.
Império dos Sonhos é pura bizarrice da cabeça maluca de David Lynch. Não importa se você entende ou não, se as peças não são mastigadas do início ao fim como no cinema convencional. Aqui, a perturbação toma forma na atuação fodástica de Laura Dern e na trilha sonora – com um desfecho excelente ao som de “Sinnerman” de Nina Simone.
Stephen Frears apresenta os bastidores do palácio de Buckingham após a trágica morte da princesa Diana. O grande mérito do longa é a atuação premiada de Helen Mirren, dando o tom certo à crise existente na realeza. Outro destaque é o roteiro de Peter Morgan e a forma com que trabalha com inteligência e ironia os assuntos internos da família real.
O cinema de Mira Nair (Um Casamento à Indiana) preocupa-se com a identidade de seus personagens. E nesse Nome de Família, ela está na saga de uma família indiana aos Estados Unidos. O olhar delicado no contraste cultural, através das gerações, é um dos grandes méritos aqui. Pura sensibilidade num dos filmes mais esquecidos do ano.
Dreamgirls é meu guilty pleasure do ano (não é, Fabrício?). Não consigo ver a mesma beleza no insosso Hairspray – Em Busca da Fama. Um das grandes atrações desse musical é que suas canções, no melhor estilo Motown, ganham brilho e contagiam já na abertura. Mesmo com escorregadas ao longo de duas horas, as músicas soam extremamente marcantes, coisa que não acontece (ao menos comigo) na refilmagem do filme de Waters.
Da apocalíptica “Black Mirror” à redenção em “My Body is a Cage”, Neon Bible é um álbum completo que duela nos seus 45 minutos de duração. Se a tarefa de retornar com um disco à altura de Funeral era difícil, a evolução do Arcade Fire permite cumprir o seu papel de forma espetacular, superando os seus próprios limites. Gravado numa Igreja, com um órgão que substitui as guitarras quando ausentes (“Intervention”), as orquestrações encantadoras beiram entre o belo e o sujo, a paz e o caos neste obra-prima.
Aleluia, o Arcade Fire está entre nós!
Dica de download: “My Body is a Cage” (MP3), “Keep the Car Running” e “Ocean of Noise”
Desenhado em notas de piano, White Chalk não tem cara de ser um disco da mesma autora de álbuns intensos e afundados em guitarras como Dry e Rid of Me. Valorizando a solidão e o silêncio, Harvey caracteriza-o com uma fragilidade incomum – seja nos instrumentos ou no vocal sombrio – e letras pessoais que funcionam como diálogos em busca de uma salvação impossível.
Dica de download: “The Mountain”, “The Piano” (vídeo) e “Grow Grow Grow”
Lucinda Williams, um dos grandes nomes da música alt-country norte-americana, fez de seu último álbum um clássico. As canções de West têm vida longa, passeando pelo blues, folk e country no vocal de tom embriagado da cantora. Grande parte do obra concentra-se na morte de sua mãe (“Mama You Sweet” e “Fancy Funeral”) e o fim de um relacionamento (destacando a excelente “Come On”). Diante dos fatos, canções como “Are You Alright?” e “Learning How to Live” soam introspectivas e moldadas no estado emocional de Lucinda.
Dica de download: “Come On”, “Are You Alright?” (vídeo) e “Wrap My Head Around That”
Nicole Atkins não é o tipo de cantora convencional. Neptune City é um dos álbuns mais elegantes do ano. Seja no vocal carismático e teatral de Atkins – que atinge níveis de interpretação que remete, de certa forma, Rufus Wainwright – ou nas instrumentações extremamente meticulosas das faixas (“Together We´re Both Alone”). Com canções de cortar o coração de modo clássico (“The Way It Is”) ou retratar a passagem da infância à maturidade da cantora (“Cool Enough”), a supervisão refinada do produtor Rick Rubin faz de Neptune City e Nicole Atkins uma das artistas mais promissoras do ano (que vem). Destaque para o rock moderno de “Love Surreal”.
Dica de download: “Party’s Over” (MP3), “Together We’re Both Alone” e “Brooklyn’s on Fire!”
A decisão da cantora Inara George e do multi-instrumentista Greg Kurstin de fazer um projeto que unisse o pop eletrônico e jazz, estilo admirado por ambos, resulta num trabalho moderno repleto de referências das antigas. Denominam-se como “um filme futurista dos anos 60 passado no Brasil” – esse no Brasil, pelo fato do duo carregar certa porcentagem do trabalho dos Mutantes neste pop-retrô criado por eles. O fato é que as influências significam muito no resultado final, ganhando pontos com o conhecimento de estúdio de Kurst e a delicadeza vocal de George.
Dica de download: “Again & Again” (vídeo), “La La La” e “F*cking Boyfriend”
Under the Blacklight é o disco mais radiofônico do Rilo Kiley. Com letras sobre a difícil vida de Los Angeles, como a indústria pornô e seus perigos (“Close Call”), o vocal da princesinha indie Jenny Lewis continua meigo entre os temas. Nas melodias aproveita-se elementos do funk dos anos 70 em “The Moneymaker”, um rockzinho praiano com direito a palminhas em “Smoke Detector” e um pop caliente apressado em “Dejalo”. A conclusão é que Under the Blacklight é o álbum que merece o título de “ame ou odeie”.
Dica de download: “Breakin’ Up”, “Silver Lining” (vídeo) e “Smoke Detector”
Kala flerta com percussão e ritmos precisos, assim como o seu antecessor Arular. Apresenta questões políticas em seu registro – por exemplo, a faixa “Bird Flu” e “Paper Planes” abordam problemas enfrentados por imigrantes de países pobres e seus passaportes apreendidos – em sonoridades que atravessam continentes. Desta vez, M.I.A. deixa a essência do funk carioca de lado e parte em busca de novas inspirações que chegam da Ásia e da África. Diante das influências, ainda insere fórmulas do New Order e do Pixies – na faixa “20 Dollar” – para desenvolver este segundo trabalho de forma extraordinária.
Dica de download: “Paper Planes” (vídeo / MP3), “Boyz” e “Hussel”
Ano passado, Sondre Lerche apresentou um jazz tradicional com o álbum Duper Sessions. Agora retorna para provar sua versatilidade como artista. Ele cria um trabalho numa nova linha musical e visita um território de roqueiros junto com a sua bagagem pop certeiro. Phantom Punch, se não for exagerado, traz as melhores composições de sua carreira. Lerche aproveita o seu talento de escrever baladas (“After All”) e insere uma energia contagiante em suas sonoridas (“The Tape” e “John, Let Me Go”) neste trabalho ainda a ser admirado por muitos.
Dica de download: “The Tape”, “Phantom Punch” (vídeo) e“Airport Taxi Reception” (MP3)
Graduation é, além de compacto, o álbum mais acessível de Kanye West. Sem se prolongar na duração, vai direto ao foco nas composições e insere o artista (definitivamente) no meio pop. Afinal, cantar com o sample de Daft Punk (“Stronger” tem a batida de “Harder, Better, Faster, Stronger” dos franceses) e contar com a participação de Chris Martin, do Coldplay (em “Homecoming”) colocam West num patamar acima dos grandes artistas da música atual. E sem o rotular como um astro exclusivamente hip-hop.
Dica de download: “Stronger”, “Champion” e “Can’t Tell Me Nothing” (MP3)
Como se sabe, a criatividade musical do Radiohead não é de hoje e In Rainbows não é exceção. O álbum que poderia ter matado a música convencional, com o seu lançamento via download na Internet, contrasta a estranheza sonora da banda, na descompassada “15 Steps”, e o equilíbrio musical (“Faust Artp” e “Videotape”) em um álbum com cara de complicado, mas extremamente “acessível” – de todas as maneiras – ao grande público.
Dica de download: “Videotape” (MP3), “15 Step” e “Weird Fishes/Arpeggi” (MP3)
O que difere Boxer do trabalho anterior, Alligator, do The National é a densidade instrumental que este novo registro apresenta. A responsabilidade e sofisticação do disco são influências de Peter Katis, que já tinha trabalhado com o Interpol e o Spoon, contribuindo com sua experiência aqui. A faixa de abertura, “Fake Empire, respira melancolia no piano (tocado por Sufjan Stevens), nas instrumentações crescentes e na voz barítona de Matt Berninger, expandido essa atmosfera sonora ao longo do álbum.
Ícones do new rave, os garotos sensação do Klaxons apresentam um som hipnótico na bateria apressada, excesso de guitarras, sons de sirenes e urgência em animar qualquer ambiente. Há momentos em que o resultado surge efeito diante do caos sonoro das faixas (“Atlantis to Interzone”) que funcionam assim em sua totalidade – no melhor sentido da expressão, é claro.
O LCD Soundsystem, projeto musical do produtor James Murphy, é uma mistura de punk-pop-rock com eletrônica. O marcante registro vocal de Murphy e a miscelânea sonora dos estilos, como nos trabalhos anteriores, são os atrativos deste Sound of Silver. Mais lapidado e com hits variantes que seu antecessor, as inserções de elementos sonoros – sininhos, teclados, sussurros, xilofones,… – transformam o álbum numa Torre de Babel traduzida em letras que abordam questões sócio-políticas (North American Scum) e desolação por parte do artista (“All My Friends”), sem perder o embalo por um segundo.
Oh, My Darling é um álbum pequeno que se torna rico em sua própria simplicidade. A canadense Basia Bulat cresceu ao som de clássicos da Motown, Beatles, Beach Boys e Sam Cooke. Sua estréia é um folk-jazz de efeito acústico conduzido de forma primordial pela voz suave e contrastante da artista. Há quem diga que é esse Oh, My Darling é a versão de Funeral, do Arcade Fire, na voz de uma menina. Exageros à parte, trate-se de uma bonita estréia.
Jack e Meg voltam com seu rock cru calcado no preto, branco e vermelho. Icky Thump (o disco) aumenta o volume das guitarras, canta política ou sobre um murro construído para barrar a imigração ilegal (“Icky Thump”, a música). A faixa “Conquest” parece ter saído de um Western norte-americano com sua percussão com qualidade de hino de cavalaria. Destaque para a divertida “session” de “Rag and Bone” com a dupla se divertindo nos instrumentos e conversas.
O Spoon chega em seu sexto álbum de estúdio em ótima forma. Um dos grandes feitos desse quarteto texano é criar música indie com cara de hit para rádio – abusando dos hipnóticos arranjos instrumentais. Prova disso, está na faixa de abertura “Don´t Make Me a Target” (destaque para o piano marcado), na melodia minimalista de “My Little Japanese Cigarette Case” e na explosão latina de “The Underdog”, produzida pelo competente Jon Brion. Ga Ga Ga Ga Ga é disco popular independente, feito para todo mundo gostar e as pessoas se perguntarem enternamente “de quem é aquela música?”.
O vocal de Leslie Feist é um encontro de sensualidade com intimidade. As composições, em sua maioria com base acústica fundida ao folk, pop e jazz, encontram simplicidade nas letras – como por exemplo na pequena gigante “1 2 3 4″, na qual abre cantando: “1, 2, 3, 4 / tell me that you love me more”. Com momentos delicados (“So Sorry”) e pegada pop sortida (“My Moon, My Man” / “I Felt It All”), The Reminder é o típico disco para se escutar sozinho num quarto escuro, deixar se envolver pelas melodias e imaginar uma mão delicada acariciando seu rosto.
Uma das (muitas) qualidades do New Pornographers é a química entre seus oito integrantes. Suas composições contagiantes poderiam ser definidas como uma conversa entre Burt Bacharach e Brian Wilson sobre as felicidades e desilusões da vida. A faixa título e o belíssimo hino ao amor de “Go Places” permitem que o vocal melancólico de Neko Case contribua à sonoridade e interpretação das composições. O ápice do entusiasmo revela-se em “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”, com os instrumentos e a harmonia cativante.
Dica de download: “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”
Myth Takes, o terceiro álbum do !!! (Chk Chk Chk), é um disco feito para dançar, acredite – as faixas fariam sucesso em qualquer balada alternativa. A junção eletrônica com o punk-funk-rock resulta num trabalho extremamente complicado pelas referências, no entanto bem administrado. As músicas parecem que chegam à beira de um orgasmo (“Must Be the Moon”) de referências.
Teenager, terceiro trabalho dos irlandeses do The Thrills, transporta o próprio título para as suas melodias. Assim como um adolescente, as composições vão se desenvolvendo nas texturas instrumentais (“I´m So Sorry”) e amadurecendo num pop inocente até o seu desfecho.
Dica de download: “Nothing Changes Around Here” (vídeo)
Em American Doll Posse, Tori Amos multiplica-se em cinco mulheres para expressar sua perspectiva social, política e pessoal das composições. O nono álbum da artista ocupa-se com guitarras inspiradas (“Teenage Hustling”), letras anti-Bush (“Yo George” / “Dark Side of the Sun”), melodias certeiras (“Bouncing Off Clouds”) e momentos seguros com Amos ao piano (“Digital Ghost” / “Almost Rosey”), resultando em um bom trabalho (em tempos) em seu currículo.
O tom triste delineado pelas calorosas guitarras divide-se entre o rock e o alt-country, proporcionando a evolução do Band of Horses em seu segundo disco. O voz de Ben Bridwell pode ser definida como “quando Wayne Coyne tornou-se uma pessoa infeliz” pela semelhança vocal entre ele e o líder do Flaming Lips. Destaque para a faixa de abertura “Is There a Ghost, com sua melodia crescente, e o velho problema de relacionamentos na quase acústica “No One’s Gonna Love You”.
Da explosão sonora de “Underdogs”, passando pelo dueto delirante com Nina Persson (do Cardigans) em “Your Love is Not Enough” até as guitarras cantadas de “Autumnsong”, este Send Away the Tigers redescobre o talento nato dos maníacos com exuberância. Lançam um de seus melhores trabalhos atuais, com a qualidade dos clássicos dos anos 90.
O indie pop tímido de Laura Peek and the Winning Hearts encontra sintonia no vocal e piano de Peek, na bateria de Dave Ewenson e no baixo de Joel Gonguen. Com pitadas de folk e elementos do jazz, as composições respiram e expiram, tristeza e otimismo, em faixas que não tomam mais de 3 minutos para darem seu recado.
Com Lynn Teeter Flower, segundo álbum solo de Maria Taylor (integrante do Azure Ray), a artista firma-se perfeitamente em carreira solo. As melodias são como abraços que aquecem, com o vocal doce de Taylor, em composições que carregam uma tristeza evidente – como é o caso da delicada e com certa esperança “Small Part of Me”.
Este quinteto da Filadélfia é influenciado por álbuns homônimos do Beatles e do Beach Boys. A textura de suas composições reproduzem o pop psicodélico dos anos 60 com vigor. E é por isso que We All Belong é um daqueles discos que parece ter sido lançado fora de seu tempo, mas com uma qualidade admirável.
A sueca/japonesa Maia Hirasawa apresenta um pop despretensioso com elementos do folk em sua estréia. Neste Though, I´m Just Me, a também integrante do Hello Saferide, caracteriza algumas canções com uma identidade infantil (“Crackers”), enquanto outras – como “Still June” e “Star Again” solidificam a atmosfera madura onipresente nos trabalhos do Hello Saferide. Destaque para o pop jazzístico de “And I Found this Boy”.
#35. Of Montreal
(Hissing Fauna, Are You the Destroyer?)
Com referências dos anos 80, o Of Montreal tem como inspiração as melodias eficientes de Brian Wilson – como deixa evidente nas faixas que abrem o disco: “Suffer for Fashion” e “Sink the Seine”. As melodias extremamente moduláveis e os vocais de calibre melancólico, assim como suas letras, contrastam o verdadeiro sentimento das composições na fórmula indie-glam apresentada por eles .
Dica de download: “Heimdalsgate Like a Promethean Curse” (vídeo)
Com a boa receptividade de Silent Alarm, o Bloc Party toma fôlego para apresentar A Weekend in the City. Com guitarras bem trabalhas e bateria ágil, o vocalista Kele Okereke revela insegurança em grande parte das composições e a influência da metrópole neste segundo álbum. As letras destacam-se quando o artista aborda temas como drogas (“On”), suicídio (“SRXT”) e sexualidade (“I Still Remember”) de forma mais direta que em sua estréia.
O Bonde do Rolê é mais um produto de exportação que faz sucesso lá fora e, logo em seguida, ganha popularidade no país. Com letras de teor pornográfico escrachado, guitarras incrementadas ao batidão do funk e samples exagerados, esse trio de Curitiba conquista justamente por não ser levado tão a sério – ainda mais pelos gringos que não entendem pérolas como “mais vale dois cus que uma buceta”.
St. Vincent atende pelo o nome da multi-intrumentista Annie Clark – que já fez parte da “família” Polyphonic Spree e saiu em turnê com músicos como Sufjan Stevens e José González. Em sua estréia solo, as composições são como odisséias pop conduzidas por guitarras e acordes de piano que se fundem melodicamente ao vocal delineado da artista.
Nunca faltaram comparações com Beyoncé nos trabalhos de Amerie. Suas composições em geral são empolgantes, acertam em cheio no ritmo marcado e exalam sensualidade. No entanto, um de seus grandes méritos é não ter um Jay-Z para guiar sua carreira, produzindo faixas altamente industriais e contagiosas no melhor estilo R&B. Destaque neste Because I Love It para a pegada 80´s de “Crush”.
Neste quinto álbum de estúdio, o experimentalismo dos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger continua sendo a principal sensação do The Fiery Furnaces. A psicodelia (“Ex-Guru” / “Navy Nurse”) e distorções sonoras são os atrativos deste Widow City. Uma das qualidades da dupla continua sendo a originalidade e o ar transcendal (“Japanese Slippers”) das faixas.
O segundo álbum do produtor Mark Ronson revisita grandes clássicos da música “pop” atual. As releituras de Ronson apresentam um ar clássico baseado no funky-soul na voz de artistas como Amy Winehouse (“Valerie”), Lily Allen (“Oh My God”), Robbie Williams (“The Only One I Know”), entre outros. Version brilha quando os trompetes, de forma crescente, anunciam “Just” do Radiohead.
Após seis anos de hiato, Suzanne Vega – a voz de “Luka” – volta com Beauty & Crime. O álbum, definido como um retrato de Nova Iorque, é um passeio entre o público e o privado. Os arranjos elegantes (incluindo a bossa nova de “Pornographer’s Dream”) e aura jazzística são influências do multi-intrumenta Jimmy Hogarth para desenhar a Big Apple, seus amores, perdas e o íntimo da artista.
Os dramas da família Fisher, donos de uma agência funerária, são de uma natureza impecável. Não aborda apenas o próprio umbigo de seus personagens e repletos de problemas pessoais, indo além quando expõe questões políticas (com comentários anti-Bush) e desmorona o american way of life – coisa que o roteirista Alan Ball (de Beleza Americana) tira de letra.
A série cresceu, desenvolveu personagens – inclusive os coadjuvantes – e revelou uma das minhas atrizes favoritas: a carismática Lauren Ambrose, agraciada pelo papel de Claire Fisher. A atriz tem uma cena espetacular quando discute com a mãe de um soldado morto no Oriente Médio sobre o papel “idiota” que os norte-americanos estão fazendo nessa Guerra, ao mesmo tempo que precisa lidar com uma tragédia pessoal.
Vídeo promocional da Quinta Temporada
A Sete Palmos apresenta um dos melhores elencos já vistos na televisão, com atores como Frances Conroy, Peter Krause, Michael C. Hall, Rachel Griffiths e com freqüentes participações especiais de Kathy Bates e Patricia Clarkson.
Despede-se de maneira triunfal. Alan Ball é realista como a natureza humana e não transforma o desfecho da série com o gosto popular. Tudo que começa, tem um fim. Nasce, cresce e morre. “Everything Ends”.
Na pele de um policial e serial-killer, Michael C. Hall causa conforto e insegurança em seu espectador. Suas vítimas são aqueles que merecem pagar com a vida pelos seus crimes/atos. No piloto do programa, somos apresentados ao seu mundo, através de narrações em off, e métodos de vingança. A tensão cresce na medida em que Dexter estabelece um jogo com outro serial-killer (The Ice Truck Killer), responsável pela morte de prostitutas da região de Miami, com método peculiar de drenar o sangue e cortar os membros das vítimas – deixando o nosso heróico-psicopata “orgulhoso” das técnicas do novo amigo. A série caminha direitinho, pois prende a atenção e deixa o seu espectador apreensivo com os caminhos tomados pelo nosso herói e seu concorrente no crime. O desfecho da primeira temporada é uma virada de roteiro fantástica.
O drama de humanos que descobrem terem poderes a laX-Men é o mote de Heroes. A série deixa claro a influência das histórias em quadrinhos, logo no créditos e títulos iniciais. Na medida em que seus personagens vão tendo conhecimentos de seus poderes, mais frágeis se tornam como “pessoas normais”. É o caso da menina Claire: ela pode se arrebentar num acidente de carro sem sofrer nenhum ferimento, no entanto não sabe comentar o dom com a família por medo de ser rejeitada. No elenco, ainda há o carismático japonês Hiro com seu poder de controlar o tempo. Gradualmente, revelações são esclarecidas, novos rumos traçados aos personagens, mais heróis integram a série para esclarecer o que todos têm em comum e sua verdadeira missão na Terra.
A quarta temporada de A Sete Palmos serviu para dar uma direção ao ritmo lento que a série encontrou-se em seu ano anterior. Revelações foram aparecendo para que uma bomba fosse colocada na frente do personagem de Nate Fisher e o paradeiro de Lisa, sua esposa e mãe de sua filha. Enquanto isso, o episódio That´s My Dog apresentou o ator Michael C. Hall (David) em um dos seus melhores desempenhos numa seqüência desesperadora e claustrofóbica. Claire começa a experimentar uma nova vida de artista, com drogas e sexo das diversas formas (destaque para a atriz Mena Suvari). Por sua vez, Ruth, a matriarca dos Fisher, preocupa-se com o estado miterioso de seu marido George e alguns hábitos estranhos de sua parte. A quarta temporada arma um ótimo caminho para que soluções apareçam na última para o grande desfecho.
Neste My Name is Earl, o excêntrico Jason Lee faz um sujeito desempregado que vive de pequenos furtos. Aprende a lidar com o seu carma ao assistir um entrevista de Carson Daily na televisão do hospital, após ser atropelado, levar um pé na bunda de sua mulher e perder o bilhete de loteria que lhe daria 100 mil doletas fácil. Resolve fazer uma lista de todas as coisas ruins que fez para se redimir com os erros do passado… até que o bilhete volta para sua mãos – o carma está a seu favor. Agora, sua principal tarefa é riscar os 259 ítens de sua lista para que tudo continue dando certo em sua medíocre vida.
A edição é ágil, o texto é fascinante e as situações hilárias quando se tem um ator com o timing de Jason Lee.
Exportar o teledrama Betty – A Feia para os Estados Unidos funciona mais do que trazer novelas mexicanas, com os roteiros literalmente transcritos, para serem filmados no SBT. Ugly Betty pega carona no sucesso de O Diabo Veste Prada e manda bem. Betty é a típica menina que faz o bem e recebe o mesmo em troca. Já os vilões, sempre dão uma de azarados. É comédia no estilo “mamão com açúcar”, sendo esta a melhor forma de conquistar o público.
O menino que faz o sobrinho de Betty e é entendido de moda tem tudo para crescer nas próximas temporadas com momentos hilários. Por sua vez, a desaparecida e decadente Vanessa Williams (que eu só lembrava do filme Queima de Arquivo e um outro com a Chayanne) deve estar agradecendo aos produtores do show até agora por lhe darem um papel à altura de Miranda Priestly.
Lost volta a impressionar mesmo com poucos argumentos a respeito da ilha. O episódio inicial é de deixar qualquer um com a boca aberta – afinal, se você tinha algumas teorias, todas parecem ir por água abaixo.
A importância de Jack aos outros é apresentada, Kate e Sawyer viram alvo de romance, Locke continua sendo o durão de coração mole da série, mas é Mr. Eko que está com os segundos mais intrigantes da série. O elenco promete voltar, deixando mais questões na cabeça de seu público do que dúvidas esclarecidas. A participação de Rodrigo Santoro é pequena com chances de desenvolver seu personagem ao longo dos episódios.
O cenário paradisíaco de Miami Beach é belo e artificial através das mãos de dois cirurgiões (interpretados por Dylan Walsh e Julian McMahon). Já não bastasse as preocupações com os negócios, pacientes e concorrência, precisam estar a par com suas famílias, crises de meia idade e problemas amorosos. Seus dois principais personagem são opostos que se completam dando a essa série toques de drama, suspense e muita sensualidade (até que demais).
Pequena Miss Sunshine é o tipo de filme que você tem que assistir para se envolver e se identificar com as peças inseridas no roteiro. Ou simplemente se encantar com o sorriso e olhar da jovem atriz Abigail Breslin, o silêncio de Paul Dano, a superproteção de Toni Collette, a fragilidade de Steve Carell, a filosofia de vida de Alan Arkin e o ser ou não ser um ganhador de Greg Kinnear. Após esses detalhes, basta deixar com que a música de Sufjan Stevens e do DeVotchka tomem o caminho da estrada a seguir.
O cineasta François Ozon expõe na história do fotógrafo homossexual, que descobre um câncer em fase terminal, os anseios e mudanças que a notícia provoca na vida de seu protagonista. A alteração de comportamento, a forma encontrada por ele para não interferir na vida alheia e a busca de paz consigo dão toques delicados a esse projeto sobre morte marcada.
Além da veracidade – na questão do tempo, o diretor utiliza câmera digitais e atores desconhecidos (o que não causa grande identificação entre espectador e personagens), deixando com que a história dos passageiros fique acima das atuações. A sensação é de fraqueza durante a projeção. É evidente que a intenção de Paul Greengrass (direitor) não é criar uma estória gratuita com o objetivo de tocar na ferida. Questões sobre o que teria acontecido são levantadas, dramas pessoais abordados de forma breve e decisões a serem tomadas com aqueles passageiros estão na tela de forma convincente.
Do início ao seu desfecho, Brokeback Mountain não poderia ter uma mão mais humana que a do diretor Ang Lee. É sensível ao extremo quando apresenta a luta travada entre os seus protagonistas em relação ao sentimento. Se hoje o amor homossexual é melhor aceito pela sociedade, o filme que se passa nos anos 60 com figuras “fortes e brutas” como a dos caubóis, torna-se atual e envolvente. Aqui, não se distingue mais sexo, apenas se presencia o afeto e o sofrimento das personagens centrais.
A fábula cujo pano de fundo é o regime ditatorial na Espanha dos anos 40, apresenta-nos a dois mundos distintos: o da realidade e o da fantasia. O universo sombrio e melancólico de Guillermo Del Toro, nestes dois espaços, contrasta perfeitamente seus personagens humanos e imaginários. A atuação enigmática da menina Ivana Banquero sustenta a qualidade deste conto de fadas negro e assustador.
Somente um cineasta do calão de Pedro Almodóvar para deixar Penélope Cruz adorável (e suportável) na tela grande. Com um filme denso sobre mulheres, universo dominado por Almodóvar, ele nos entrega novamente um trabalho pessoal em um roteiro que mescla o exagerado e o dramático simultaneamente. Cruz tem o papel da vida, enquanto Carmen Maura brilha de coadjuvante novamente trabalhando com o diretor espanhol.
150 minutos – que passam voando – foram o suficiente para Martin Scorsese mostrar que continua em ótima forma. Os Infiltrados retoma elementos dos primeiros trabalhos do diretor neste drama de corrupção e violência com atuações excepcionais – inclusive de um Leonardo DiCaprio que consegue se sobressair diante de um monstro como Jack Nicholson.
Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, filmadas por uma câmera na rua. Isso é apenas o mote para uma seqüência de acontecimentos que começam a assustar o casal, na medida que revelações perturbadoras e pessoais são expostas através do conteúdo dos vídeos. Caché é um thriller que caminha lentamente, surpreendendo nas seqüências e desfecho memorável que apresenta.
Nick Naylor (Aaron Eckhart, em interpretação válida para indicação ao Oscar) é o principal porta-voz de uma grande empresa de cigarros. Obrigado por Fumar é uma sátira policamente incorreta sobre a indústria do tabaco e de como este lobista ganha a vida defendo os males do cigarro, ao mesmo tempo que precisa ser o modelo ideal ao seu filho adolescente. Um dos roteiros mais inteligentes que Hollywood poderia ter apresentado.
A história da jovem Hermila, que volta de São Paulo com seu filho recém-nascido para a casa da família – no interior do Ceará, ganha força (e fraqueza) através da interpretação de sua atriz Hermila Guedes. Ela espera a chegada do marido, mas esse não volta. Sem deixar que seus sonhos morram ali, naquela pequena cidade, encontra uma forma de ganhar dinheiro: uma noite de amor com ela através de uma rifa.
A artista multimídia Miranda July apresenta, neste seu primeiro longa metragem, um retrato do cotidiano com pequenas doses de humor e melancolia através de suas personagens. A história de uma artista que faz vídeos que se sente atraída por um vendedor de sapatos, com dois filhos para criar e recém separado, transforma situações cômicas em peças adoráveis. Destaque para um dos garotos que consegue ganhar o filme apenas usando o chat em seu computador. ))<>((
George Clooney apresenta esse Boa Noite e Boa Sorte de forma sucinta e elegante. A rivalidade entre o apresentador Edward R. Morrow (David Strathairn) versus o senador Joseph McCarthy, em plena era do macarthismo, é tratado agilmente pelo olhar cuidadoso de Clooney atrás das câmeras. Além da excepcional fotografia em P&B, dando um ar noir ao projeto, as cenas reais dos “julgamentos” constroem credibilidade ao material.
C.R.A.Z.Y. funcionando como uma espécie de Anos Incríveis, sem o conservadorismo norte-americano. O longa aborda temas como homossexualidade, drogas, música e religião de forma natural e imaginativa. Conquista o público, porque conversa com pessoas comuns como as representadas na tela, causando empatia pelos personagens. A trilha sonora impecável com clássicos dos Rolling Stones, David Bowie e Pink Floyd ganham seqüências extraordinárias.
Não é um documentário do Discovery Channel, porque é demasiado poético. A Marcha dos Pingüins ganha pontos ao tratar esses pequenos seres de forma humana. O diretor Luc Jacquet parece ter o poder de ler o que se passa emocionalmente na cabeça de cada um deles, mostrando como a natureza encontra força onde nós, seres humanos, nem podemos imaginar.
O Plano Perfeito apresenta um estória banal: assalto a banco. A diferença está na direção, o elenco e, principalmente, roteiro que estão em sintonia tirando o projeto da vala comum. Há momentos de tensão e o que parecia apenas chavões expostos nos minutos iniciais acabam dando uma dimensão maior ao desfecho da trama. Vale destacar como Spike Lee trabalha com a diversidade étnica em um ambiente como Nova Iorque.
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Sunday, December 31st, 2006 |
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