A receita de Ratatouille está no humor refinado da animação. O diretor Brad Bird (de Os Incríveis) tem em mãos uma boa trama com um roteiro charmoso, auxiliado de um visual parisiense praticamente real. A história do ratinho Remy, que sonha em ser um chef de cozinha, com o toque de Midas da Pixar transforma Ratatouille num clássico instantâneo.
A direção de Sofia Coppola e a atuação de Kirsten Dunst imprimem em celulóide a vida de Maria Antonieta com um lirismo pop original e naturalidade capaz de humanizar a figura da Rainha francesa sem a atmosfera de documentário perfeito do History Channel. A capacidade de transportar os temas e atualizar as figuras históricas caracteriza esse projeto único - vaiado em Cannes - que seduz principalmente o seu público jovem. É isso que Maria Antonieta é, uma jovem como qualquer menina comum. Destaque para a trilha sonora espetacular que vai de Bow Wow Wow a New Order.
Conclusão: À Prova de Morte e Planeta Terror não funcionam separadamente. A unicidade quebrada pelos intere$$es com o lançamento no Brasil, descaracteriza o projeto de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A homenagem dos cineastas aos filmes de horror dos anos 70, traz uma Rose McGowan excepecional em Planeta Terror, enquanto que Rosario Dawson e Kurt Russell brilham no filme mais “menininha” do ano, À Prova de Morte.
O diretor Todd Field revela a (im)perfeição do subúrbio neste filme baseado no romance de Tom Perrotta. Com atuações precisas e um narrador em off de efeito literário, este conto de auto-destruição e paixão desenha-se na intensidade de Kate Winslet e no falso moralismo dos moradores da cidade. É cutucar mais uma vez no american way of life, mas sem a tragicomédia de Beleza Americana.
Wes Anderson volta às telas com a trama de três irmãos – interpretados por Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman – e uma viagem à Índia na tentativa de reaproximação após um ano da morte do patriarca. O filme encontra perfeição nas atuações de seus atores, mas um dos grandes momentos é de Brody numa das cenas mais impactantes do ano. É comédia bem sucedida, no melhor estilo refinado, de Anderson.
O Hospedeiro é um filme de monstro e pode lembrar momentos trash de Godzilla. Mas, é um bom filme de monstro que se sustenta de forma equilibrada na fórmula da comédia, da política e do drama familiar. A seqüência inicial, com o surgimento da criatura, é uma das coisas mais bem arquitetadas, no quesito de prender a atenção, e vale destacar os efeitos visuais aqui. Grude-se no sofá e sinta uma ar de novidade, mesmo quando tudo sobre filmes de monstro já foi feito.
Com uma edição aprimorada e um direção cuidadosa - com o domínio de Paul Greengrass - a terceira parte da série Bourne se torna um dos filmes de espionagem mais surpreendentes dos últimos tempos. É como fosse ligado na tomada no ínicio e desplugado apenas no final dos créditos. A tensão (na Estação de Waterloo) e as cenas de perseguições (como a do Marrocos) são um dos grandes atrativos desse filme de Ação com “A” maiúsculo. E Matt Damon parece o cara certo para o papel, não?
A diferença de Superbad - É Hoje entre várias fitas direcionadas ao público teen está no equilíbrio entre a naturalidade e humor escrachado. Sim, é sobre adolescentes que querem encher a cara e perder a virgindade o mais rápido possível. Mas além de tudo, é a despedida de uma fase de inocência.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida dos Outros toma partida antes da queda do Muro de Berlim. A Stasi, polícia secreta a serviço dos comunistas, não deixa oportunidades para que exista espaço para a resistência. Mas, antes de qualquer relação histórica, a qualidade desse projeto é trabalhar as relações humanas e, a partir disso, desenvolvê-las em seus personagens.
Conhecida pelo seu papel na TV como Felicity, Keri Russel exorciza os fantasmas do mundo televisivo e acerta em cheio em sua carreira cinematográfica com este delicioso Garçonete. Jenna é garçonete num restaurante local e descobre que está grávida. Mas, a sua felicidade é inexistente, pois não ama o marido controlador (e futuro pai da criança) com quem convive. Bacana é que cada tragédia pessoal na vida da protagonista acaba virando nome de uma torta, como a “Torta Não Quero o Bebê de Earl”.
Paris, Te Amo é um filme coletivo sobre a cidade do amor e suas facetas. Com diretores e atores de prestígio, o grande desafio é apresentar em cinco minutos um encontro romântico, seja ele na comunicação ou na falta dela, com a Cidade Luz. Destaque para o curta de Alexander Payne com a competente Margo Martindale.
Império dos Sonhos é pura bizarrice da cabeça maluca de David Lynch. Não importa se você entende ou não, se as peças não são mastigadas do início ao fim como no cinema convencional. Aqui, a perturbação toma forma na atuação fodástica de Laura Dern e na trilha sonora - com um desfecho excelente ao som de “Sinnerman” de Nina Simone.
Stephen Frears apresenta os bastidores do palácio de Buckingham após a trágica morte da princesa Diana. O grande mérito do longa é a atuação premiada de Helen Mirren, dando o tom certo à crise existente na realeza. Outro destaque é o roteiro de Peter Morgan e a forma com que trabalha com inteligência e ironia os assuntos internos da família real.
O cinema de Mira Nair (Um Casamento à Indiana) preocupa-se com a identidade de seus personagens. E nesse Nome de Família, ela está na saga de uma família indiana aos Estados Unidos. O olhar delicado no contraste cultural, através das gerações, é um dos grandes méritos aqui. Pura sensibilidade num dos filmes mais esquecidos do ano.
Dreamgirls é meu guilty pleasure do ano (não é, Fabrício?). Não consigo ver a mesma beleza no insosso Hairspray - Em Busca da Fama. Um das grandes atrações desse musical é que suas canções, no melhor estilo Motown, ganham brilho e contagiam já na abertura. Mesmo com escorregadas ao longo de duas horas, as músicas soam extremamente marcantes, coisa que não acontece (ao menos comigo) na refilmagem do filme de Waters.
Da apocalíptica “Black Mirror” à redenção em “My Body is a Cage”, Neon Bible é um álbum completo que duela nos seus 45 minutos de duração. Se a tarefa de retornar com um disco à altura de Funeral era difícil, a evolução do Arcade Fire permite cumprir o seu papel de forma espetacular, superando os seus próprios limites. Gravado numa Igreja, com um órgão que substitui as guitarras quando ausentes (“Intervention”), as orquestrações encantadoras beiram entre o belo e o sujo, a paz e o caos neste obra-prima.
Aleluia, o Arcade Fire está entre nós!
Dica de download: “My Body is a Cage” (MP3), “Keep the Car Running” e “Ocean of Noise”
Desenhado em notas de piano, White Chalk não tem cara de ser um disco da mesma autora de álbuns intensos e afundados em guitarras como Dry e Rid of Me. Valorizando a solidão e o silêncio, Harvey caracteriza-o com uma fragilidade incomum - seja nos instrumentos ou no vocal sombrio - e letras pessoais que funcionam como diálogos em busca de uma salvação impossível.
Dica de download: “The Mountain”, “The Piano” (vídeo) e “Grow Grow Grow”
Lucinda Williams, um dos grandes nomes da música alt-country norte-americana, fez de seu último álbum um clássico. As canções de West têm vida longa, passeando pelo blues, folk e country no vocal de tom embriagado da cantora. Grande parte do obra concentra-se na morte de sua mãe (“Mama You Sweet” e “Fancy Funeral”) e o fim de um relacionamento (destacando a excelente “Come On”). Diante dos fatos, canções como “Are You Alright?” e “Learning How to Live” soam introspectivas e moldadas no estado emocional de Lucinda.
Dica de download: “Come On”, “Are You Alright?” (vídeo) e “Wrap My Head Around That”
Nicole Atkins não é o tipo de cantora convencional. Neptune City é um dos álbuns mais elegantes do ano. Seja no vocal carismático e teatral de Atkins - que atinge níveis de interpretação que remete, de certa forma, Rufus Wainwright - ou nas instrumentações extremamente meticulosas das faixas (“Together We´re Both Alone”). Com canções de cortar o coração de modo clássico (“The Way It Is”) ou retratar a passagem da infância à maturidade da cantora (“Cool Enough”), a supervisão refinada do produtor Rick Rubin faz de Neptune City e Nicole Atkins uma das artistas mais promissoras do ano (que vem). Destaque para o rock moderno de “Love Surreal”.
Dica de download: “Party’s Over” (MP3), “Together We’re Both Alone” e “Brooklyn’s on Fire!”
A decisão da cantora Inara George e do multi-instrumentista Greg Kurstin de fazer um projeto que unisse o pop eletrônico e jazz, estilo admirado por ambos, resulta num trabalho moderno repleto de referências das antigas. Denominam-se como “um filme futurista dos anos 60 passado no Brasil” - esse no Brasil, pelo fato do duo carregar certa porcentagem do trabalho dos Mutantes neste pop-retrô criado por eles. O fato é que as influências significam muito no resultado final, ganhando pontos com o conhecimento de estúdio de Kurst e a delicadeza vocal de George.
Dica de download: “Again & Again” (vídeo), “La La La” e “F*cking Boyfriend”
Under the Blacklight é o disco mais radiofônico do Rilo Kiley. Com letras sobre a difícil vida de Los Angeles, como a indústria pornô e seus perigos (“Close Call”), o vocal da princesinha indie Jenny Lewis continua meigo entre os temas. Nas melodias aproveita-se elementos do funk dos anos 70 em “The Moneymaker”, um rockzinho praiano com direito a palminhas em “Smoke Detector” e um pop caliente apressado em “Dejalo”. A conclusão é que Under the Blacklight é o álbum que merece o título de “ame ou odeie”.
Dica de download: “Breakin’ Up” (MP3), “Silver Lining” (vídeo) e “Smoke Detector”
Kala flerta com percussão e ritmos precisos, assim como o seu antecessor Arular. Apresenta questões políticas em seu registro - por exemplo, a faixa “Bird Flu” e “Paper Planes” abordam problemas enfrentados por imigrantes de países pobres e seus passaportes apreendidos - em sonoridades que atravessam continentes. Desta vez, M.I.A. deixa a essência do funk carioca de lado e parte em busca de novas inspirações que chegam da Ásia e da África. Diante das influências, ainda insere fórmulas do New Order e do Pixies - na faixa “20 Dollar” - para desenvolver este segundo trabalho de forma extraordinária.
Dica de download: “Paper Planes” (vídeo / MP3), “Boyz” e “Hussel”
Ano passado, Sondre Lerche apresentou um jazz tradicional com o álbum Duper Sessions. Agora retorna para provar sua versatilidade como artista. Ele cria um trabalho numa nova linha musical e visita um território de roqueiros junto com a sua bagagem pop certeiro. Phantom Punch, se não for exagerado, traz as melhores composições de sua carreira. Lerche aproveita o seu talento de escrever baladas (“After All”) e insere uma energia contagiante em suas sonoridas (“The Tape” e “John, Let Me Go”) neste trabalho ainda a ser admirado por muitos.
Dica de download: “The Tape”, “Phantom Punch” (vídeo) e“Airport Taxi Reception” (MP3)
Graduation é, além de compacto, o álbum mais acessível de Kanye West. Sem se prolongar na duração, vai direto ao foco nas composições e insere o artista (definitivamente) no meio pop. Afinal, cantar com o sample de Daft Punk (“Stronger” tem a batida de “Harder, Better, Faster, Stronger” dos franceses) e contar com a participação de Chris Martin, do Coldplay (em “Homecoming”) colocam West num patamar acima dos grandes artistas da música atual. E sem o rotular como um astro exclusivamente hip-hop.
Dica de download: “Stronger”, “Champion” e “Can’t Tell Me Nothing” (MP3)
Como se sabe, a criatividade musical do Radiohead não é de hoje e In Rainbows não é exceção. O álbum que poderia ter matado a música convencional, com o seu lançamento via download na Internet, contrasta a estranheza sonora da banda, na descompassada “15 Steps”, e o equilíbrio musical (“Faust Artp” e “Videotape”) em um álbum com cara de complicado, mas extremamente “acessível” - de todas as maneiras - ao grande público.
Dica de download: “Videotape” (MP3), “15 Step” e “Weird Fishes/Arpeggi” (MP3)
O que difere Boxer do trabalho anterior, Alligator, do The National é a densidade instrumental que este novo registro apresenta. A responsabilidade e sofisticação do disco são influências de Peter Katis, que já tinha trabalhado com o Interpol e o Spoon, contribuindo com sua experiência aqui. A faixa de abertura, “Fake Empire, respira melancolia no piano (tocado por Sufjan Stevens), nas instrumentações crescentes e na voz barítona de Matt Berninger, expandido essa atmosfera sonora ao longo do álbum.
Ícones do new rave, os garotos sensação do Klaxons apresentam um som hipnótico na bateria apressada, excesso de guitarras, sons de sirenes e urgência em animar qualquer ambiente. Há momentos em que o resultado surge efeito diante do caos sonoro das faixas (“Atlantis to Interzone”) que funcionam assim em sua totalidade - no melhor sentido da expressão, é claro.
O LCD Soundsystem, projeto musical do produtor James Murphy, é uma mistura de punk-pop-rock com eletrônica. O marcante registro vocal de Murphy e a miscelânea sonora dos estilos, como nos trabalhos anteriores, são os atrativos deste Sound of Silver. Mais lapidado e com hits variantes que seu antecessor, as inserções de elementos sonoros - sininhos, teclados, sussurros, xilofones,… - transformam o álbum numa Torre de Babel traduzida em letras que abordam questões sócio-políticas (North American Scum) e desolação por parte do artista (“All My Friends”), sem perder o embalo por um segundo.
Oh, My Darling é um álbum pequeno que se torna rico em sua própria simplicidade. A canadense Basia Bulat cresceu ao som de clássicos da Motown, Beatles, Beach Boys e Sam Cooke. Sua estréia é um folk-jazz de efeito acústico conduzido de forma primordial pela voz suave e contrastante da artista. Há quem diga que é esse Oh, My Darling é a versão de Funeral, do Arcade Fire, na voz de uma menina. Exageros à parte, trate-se de uma bonita estréia.
Jack e Meg voltam com seu rock cru calcado no preto, branco e vermelho. Icky Thump (o disco) aumenta o volume das guitarras, canta política ou sobre um murro construído para barrar a imigração ilegal (“Icky Thump”, a música). A faixa “Conquest” parece ter saído de um Western norte-americano com sua percussão com qualidade de hino de cavalaria. Destaque para a divertida “session” de “Rag and Bone” com a dupla se divertindo nos instrumentos e conversas.
O Spoon chega em seu sexto álbum de estúdio em ótima forma. Um dos grandes feitos desse quarteto texano é criar música indie com cara de hit para rádio - abusando dos hipnóticos arranjos instrumentais. Prova disso, está na faixa de abertura “Don´t Make Me a Target” (destaque para o piano marcado), na melodia minimalista de “My Little Japanese Cigarette Case” e na explosão latina de “The Underdog”, produzida pelo competente Jon Brion. Ga Ga Ga Ga Ga é disco popular independente, feito para todo mundo gostar e as pessoas se perguntarem enternamente “de quem é aquela música?”.
O vocal de Leslie Feist é um encontro de sensualidade com intimidade. As composições, em sua maioria com base acústica fundida ao folk, pop e jazz, encontram simplicidade nas letras - como por exemplo na pequena gigante “1 2 3 4″, na qual abre cantando: “1, 2, 3, 4 / tell me that you love me more”. Com momentos delicados (“So Sorry”) e pegada pop sortida (“My Moon, My Man” / “I Felt It All”), The Reminder é o típico disco para se escutar sozinho num quarto escuro, deixar se envolver pelas melodias e imaginar uma mão delicada acariciando seu rosto.
Uma das (muitas) qualidades do New Pornographers é a química entre seus oito integrantes. Suas composições contagiantes poderiam ser definidas como uma conversa entre Burt Bacharach e Brian Wilson sobre as felicidades e desilusões da vida. A faixa título e o belíssimo hino ao amor de “Go Places” permitem que o vocal melancólico de Neko Case contribua à sonoridade e interpretação das composições. O ápice do entusiasmo revela-se em “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”, com os instrumentos e a harmonia cativante.
Dica de download: “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”
Myth Takes, o terceiro álbum do !!! (Chk Chk Chk), é um disco feito para dançar, acredite - as faixas fariam sucesso em qualquer balada alternativa. A junção eletrônica com o punk-funk-rock resulta num trabalho extremamente complicado pelas referências, no entanto bem administrado. As músicas parecem que chegam à beira de um orgasmo (“Must Be the Moon”) de referências.
Teenager, terceiro trabalho dos irlandeses do The Thrills, transporta o próprio título para as suas melodias. Assim como um adolescente, as composições vão se desenvolvendo nas texturas instrumentais (“I´m So Sorry”) e amadurecendo num pop inocente até o seu desfecho.
Dica de download: “Nothing Changes Around Here” (vídeo)
Em American Doll Posse, Tori Amos multiplica-se em cinco mulheres para expressar sua perspectiva social, política e pessoal das composições. O nono álbum da artista ocupa-se com guitarras inspiradas (“Teenage Hustling”), letras anti-Bush (“Yo George” / “Dark Side of the Sun”), melodias certeiras (“Bouncing Off Clouds”) e momentos seguros com Amos ao piano (“Digital Ghost” / “Almost Rosey”), resultando em um bom trabalho (em tempos) em seu currículo.
O tom triste delineado pelas calorosas guitarras divide-se entre o rock e o alt-country, proporcionando a evolução do Band of Horses em seu segundo disco. O voz de Ben Bridwell pode ser definida como “quando Wayne Coyne tornou-se uma pessoa infeliz” pela semelhança vocal entre ele e o líder do Flaming Lips. Destaque para a faixa de abertura “Is There a Ghost, com sua melodia crescente, e o velho problema de relacionamentos na quase acústica “No One’s Gonna Love You”.
Da explosão sonora de “Underdogs”, passando pelo dueto delirante com Nina Persson (do Cardigans) em “Your Love is Not Enough” até as guitarras cantadas de “Autumnsong”, este Send Away the Tigers redescobre o talento nato dos maníacos com exuberância. Lançam um de seus melhores trabalhos atuais, com a qualidade dos clássicos dos anos 90.
O indie pop tímido de Laura Peek and the Winning Hearts encontra sintonia no vocal e piano de Peek, na bateria de Dave Ewenson e no baixo de Joel Gonguen. Com pitadas de folk e elementos do jazz, as composições respiram e expiram, tristeza e otimismo, em faixas que não tomam mais de 3 minutos para darem seu recado.
Com Lynn Teeter Flower, segundo álbum solo de Maria Taylor (integrante do Azure Ray), a artista firma-se perfeitamente em carreira solo. As melodias são como abraços que aquecem, com o vocal doce de Taylor, em composições que carregam uma tristeza evidente - como é o caso da delicada e com certa esperança “Small Part of Me”.
Este quinteto da Filadélfia é influenciado por álbuns homônimos do Beatles e do Beach Boys. A textura de suas composições reproduzem o pop psicodélico dos anos 60 com vigor. E é por isso que We All Belong é um daqueles discos que parece ter sido lançado fora de seu tempo, mas com uma qualidade admirável.
A sueca/japonesa Maia Hirasawa apresenta um pop despretensioso com elementos do folk em sua estréia. Neste Though, I´m Just Me, a também integrante do Hello Saferide, caracteriza algumas canções com uma identidade infantil (“Crackers”), enquanto outras - como “Still June” e “Star Again” solidificam a atmosfera madura onipresente nos trabalhos do Hello Saferide. Destaque para o pop jazzístico de “And I Found this Boy”.
#35. Of Montreal
(Hissing Fauna, Are You the Destroyer?)
Com referências dos anos 80, o Of Montreal tem como inspiração as melodias eficientes de Brian Wilson - como deixa evidente nas faixas que abrem o disco: “Suffer for Fashion” e “Sink the Seine”. As melodias extremamente moduláveis e os vocais de calibre melancólico, assim como suas letras, contrastam o verdadeiro sentimento das composições na fórmula indie-glam apresentada por eles .
Dica de download: “Heimdalsgate Like a Promethean Curse” (vídeo)
Com a boa receptividade de Silent Alarm, o Bloc Party toma fôlego para apresentar A Weekend in the City. Com guitarras bem trabalhas e bateria ágil, o vocalista Kele Okereke revela insegurança em grande parte das composições e a influência da metrópole neste segundo álbum. As letras destacam-se quando o artista aborda temas como drogas (“On”), suicídio (“SRXT”) e sexualidade (“I Still Remember”) de forma mais direta que em sua estréia.
O Bonde do Rolê é mais um produto de exportação que faz sucesso lá fora e, logo em seguida, ganha popularidade no país. Com letras de teor pornográfico escrachado, guitarras incrementadas ao batidão do funk e samples exagerados, esse trio de Curitiba conquista justamente por não ser levado tão a sério - ainda mais pelos gringos que não entendem pérolas como “mais vale dois cus que uma buceta”.
St. Vincent atende pelo o nome da multi-intrumentista Annie Clark - que já fez parte da “família” Polyphonic Spree e saiu em turnê com músicos como Sufjan Stevens e José González. Em sua estréia solo, as composições são como odisséias pop conduzidas por guitarras e acordes de piano que se fundem melodicamente ao vocal delineado da artista.
Nunca faltaram comparações com Beyoncé nos trabalhos de Amerie. Suas composições em geral são empolgantes, acertam em cheio no ritmo marcado e exalam sensualidade. No entanto, um de seus grandes méritos é não ter um Jay-Z para guiar sua carreira, produzindo faixas altamente industriais e contagiosas no melhor estilo R&B. Destaque neste Because I Love It para a pegada 80´s de “Crush”.
Neste quinto álbum de estúdio, o experimentalismo dos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger continua sendo a principal sensação do The Fiery Furnaces. A psicodelia (“Ex-Guru” / “Navy Nurse”) e distorções sonoras são os atrativos deste Widow City. Uma das qualidades da dupla continua sendo a originalidade e o ar transcendal (“Japanese Slippers”) das faixas.
O segundo álbum do produtor Mark Ronson revisita grandes clássicos da música “pop” atual. As releituras de Ronson apresentam um ar clássico baseado no funky-soul na voz de artistas como Amy Winehouse (“Valerie”), Lily Allen (“Oh My God”), Robbie Williams (“The Only One I Know”), entre outros. Version brilha quando os trompetes, de forma crescente, anunciam “Just” do Radiohead.
Após seis anos de hiato, Suzanne Vega - a voz de “Luka” - volta com Beauty & Crime. O álbum, definido como um retrato de Nova Iorque, é um passeio entre o público e o privado. Os arranjos elegantes (incluindo a bossa nova de “Pornographer’s Dream”) e aura jazzística são influências do multi-intrumenta Jimmy Hogarth para desenhar a Big Apple, seus amores, perdas e o íntimo da artista.
Os dramas da família Fisher, donos de uma agência funerária, são de uma natureza impecável. Não aborda apenas o próprio umbigo de seus personagens e repletos de problemas pessoais, indo além quando expõe questões políticas (com comentários anti-Bush) e desmorona o american way of life - coisa que o roteirista Alan Ball (de Beleza Americana) tira de letra.
Vídeo promocional da Quinta Temporada
A série cresceu, desenvolveu personagens - inclusive os coadjuvantes - e revelou uma das minhas atrizes favoritas: a carismática Lauren Ambrose, agraciada pelo papel de Claire Fisher. A atriz tem uma cena espetacular quando discute com a mãe de um soldado morto no Oriente Médio sobre o papel “idiota” que os norte-americanos estão fazendo nessa Guerra, ao mesmo tempo que precisa lidar com uma tragédia pessoal.
A Sete Palmos apresenta um dos melhores elencos já vistos na televisão, com atores como Frances Conroy, Peter Krause, Michael C. Hall, Rachel Griffiths e com freqüentes participações especiais de Kathy Bates e Patricia Clarkson.
Despede-se de maneira triunfal. Alan Ball é realista como a natureza humana e não transforma o desfecho da série com o gosto popular. Tudo que começa, tem um fim. Nasce, cresce e morre. “Everything Ends”.
Na pele de um policial e serial-killer, Michael C. Hall causa conforto e insegurança em seu espectador. Suas vítimas são aqueles que merecem pagar com a vida pelos seus crimes/atos. No piloto do programa, somos apresentados ao seu mundo, através de narrações em off, e métodos de vingança. A tensão cresce na medida em que Dexter estabelece um jogo com outro serial-killer (The Ice Truck Killer), responsável pela morte de prostitutas da região de Miami, com método peculiar de drenar o sangue e cortar os membros das vítimas - deixando o nosso heróico-psicopata “orgulhoso” das técnicas do novo amigo. A série caminha direitinho, pois prende a atenção e deixa o seu espectador apreensivo com os caminhos tomados pelo nosso herói e seu concorrente no crime. O desfecho da primeira temporada é uma virada de roteiro fantástica.
O drama de humanos que descobrem terem poderes a laX-Men é o mote de Heroes. A série deixa claro a influência das histórias em quadrinhos, logo no créditos e títulos iniciais. Na medida em que seus personagens vão tendo conhecimentos de seus poderes, mais frágeis se tornam como “pessoas normais”. É o caso da menina Claire: ela pode se arrebentar num acidente de carro sem sofrer nenhum ferimento, no entanto não sabe comentar o dom com a família por medo de ser rejeitada. No elenco, ainda há o carismático japonês Hiro com seu poder de controlar o tempo. Gradualmente, revelações são esclarecidas, novos rumos traçados aos personagens, mais heróis integram a série para esclarecer o que todos têm em comum e sua verdadeira missão na Terra.
A quarta temporada de A Sete Palmos serviu para dar uma direção ao ritmo lento que a série encontrou-se em seu ano anterior. Revelações foram aparecendo para que uma bomba fosse colocada na frente do personagem de Nate Fisher e o paradeiro de Lisa, sua esposa e mãe de sua filha. Enquanto isso, o episódio That´s My Dog apresentou o ator Michael C. Hall (David) em um dos seus melhores desempenhos numa seqüência desesperadora e claustrofóbica. Claire começa a experimentar uma nova vida de artista, com drogas e sexo das diversas formas (destaque para a atriz Mena Suvari). Por sua vez, Ruth, a matriarca dos Fisher, preocupa-se com o estado miterioso de seu marido George e alguns hábitos estranhos de sua parte. A quarta temporada arma um ótimo caminho para que soluções apareçam na última para o grande desfecho.
Neste My Name is Earl, o excêntrico Jason Lee faz um sujeito desempregado que vive de pequenos furtos. Aprende a lidar com o seu carma ao assistir um entrevista de Carson Daily na televisão do hospital, após ser atropelado, levar um pé na bunda de sua mulher e perder o bilhete de loteria que lhe daria 100 mil doletas fácil. Resolve fazer uma lista de todas as coisas ruins que fez para se redimir com os erros do passado… até que o bilhete volta para sua mãos - o carma está a seu favor. Agora, sua principal tarefa é riscar os 259 ítens de sua lista para que tudo continue dando certo em sua medíocre vida.
A edição é ágil, o texto é fascinante e as situações hilárias quando se tem um ator com o timing de Jason Lee.
Exportar o teledrama Betty - A Feia para os Estados Unidos funciona mais do que trazer novelas mexicanas, com os roteiros literalmente transcritos, para serem filmados no SBT. Ugly Betty pega carona no sucesso de O Diabo Veste Prada e manda bem. Betty é a típica menina que faz o bem e recebe o mesmo em troca. Já os vilões, sempre dão uma de azarados. É comédia no estilo “mamão com açúcar”, sendo esta a melhor forma de conquistar o público.
O menino que faz o sobrinho de Betty e é entendido de moda tem tudo para crescer nas próximas temporadas com momentos hilários. Por sua vez, a desaparecida e decadente Vanessa Williams (que eu só lembrava do filme Queima de Arquivo e um outro com a Chayanne) deve estar agradecendo aos produtores do show até agora por lhe darem um papel à altura de Miranda Priestly.
Lost volta a impressionar mesmo com poucos argumentos a respeito da ilha. O episódio inicial é de deixar qualquer um com a boca aberta - afinal, se você tinha algumas teorias, todas parecem ir por água abaixo.
A importância de Jack aos outros é apresentada, Kate e Sawyer viram alvo de romance, Locke continua sendo o durão de coração mole da série, mas é Mr. Eko que está com os segundos mais intrigantes da série. O elenco promete voltar, deixando mais questões na cabeça de seu público do que dúvidas esclarecidas. A participação de Rodrigo Santoro é pequena com chances de desenvolver seu personagem ao longo dos episódios.
O cenário paradisíaco de Miami Beach é belo e artificial através das mãos de dois cirurgiões (interpretados por Dylan Walsh e Julian McMahon). Já não bastasse as preocupações com os negócios, pacientes e concorrência, precisam estar a par com suas famílias, crises de meia idade e problemas amorosos. Seus dois principais personagem são opostos que se completam dando a essa série toques de drama, suspense e muita sensualidade (até que demais).
Pequena Miss Sunshine é o tipo de filme que você tem que assistir para se envolver e se identificar com as peças inseridas no roteiro. Ou simplemente se encantar com o sorriso e olhar da jovem atriz Abigail Breslin, o silêncio de Paul Dano, a superproteção de Toni Collette, a fragilidade de Steve Carrell, a filosofia de vida de Alan Arkin e o ser ou não ser um ganhador de Greg Kinnear. Após esses detalhes, basta deixar com que a música de Sufjan Stevens e do DeVotchka tomem o caminho da estrada a seguir.
O cineasta François Ozon expõe na história do fotógrafo homossexual, que descobre um câncer em fase terminal, os anseios e mudanças que a notícia provoca na vida de seu protagonista. A alteração de comportamento, a forma encontrada por ele para não interferir na vida alheia e a busca de paz consigo dão toques delicados a esse projeto sobre morte marcada.
Além da veracidade - na questão do tempo, o diretor utiliza câmera digitais e atores desconhecidos (o que não causa grande identificação entre espectador e personagens), deixando com que a história dos passageiros fique acima das atuações. A sensação é de fraqueza durante a projeção. É evidente que a intenção de Paul Greengrass (direitor) não é criar uma estória gratuita com o objetivo de tocar na ferida. Questões sobre o que teria acontecido são levantadas, dramas pessoais abordados de forma breve e decisões a serem tomadas com aqueles passageiros estão na tela de forma convincente.
Do início ao seu desfecho, Brokeback Mountain não poderia ter uma mão mais humana que a do diretor Ang Lee. É sensível ao extremo quando apresenta a luta travada entre os seus protagonistas em relação ao sentimento. Se hoje o amor homossexual é melhor aceito pela sociedade, o filme que se passa nos anos 60 com figuras “fortes e brutas” como a dos caubóis, torna-se atual e envolvente. Aqui, não se distingue mais sexo, apenas se presencia o afeto e o sofrimento das personagens centrais.
A fábula cujo pano de fundo é o regime ditatorial na Espanha dos anos 40, apresenta-nos a dois mundos distintos: o da realidade e o da fantasia. O universo sombrio e melancólico de Guillermo Del Toro, nestes dois espaços, contrasta perfeitamente seus personagens humanos e imaginários. A atuação enigmática da menina Ivana Banquero sustenta a qualidade deste conto de fadas negro e assustador.
Somente um cineasta do calão de Pedro Almodóvar para deixar Penélope Cruz adorável (e suportável) na tela grande. Com um filme denso sobre mulheres, universo dominado por Almodóvar, ele nos entrega novamente um trabalho pessoal em um roteiro que mescla o exagerado e o dramático simultaneamente. Cruz tem o papel da vida, enquanto Carmen Maura brilha de coadjuvante novamente trabalhando com o diretor espanhol.
150 minutos - que passam voando - foram o suficiente para Martin Scorsese mostrar que continua em ótima forma. Os Infiltrados retoma elementos dos primeiros trabalhos do diretor neste drama de corrupção e violência com atuações excepcionais - inclusive de um Leonardo DiCaprio que consegue se sobressair diante de um monstro como Jack Nicholson.
Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, filmadas por uma câmera na rua. Isso é apenas o mote para uma seqüência de acontecimentos que começam a assustar o casal, na medida que revelações perturbadoras e pessoais são expostas através do conteúdo dos vídeos. Caché é um thriller que caminha lentamente, surpreendendo nas seqüências e desfecho memorável que apresenta.
Nick Naylor (Aaron Eckhart, em interpretação válida para indicação ao Oscar) é o principal porta-voz de uma grande empresa de cigarros. Obrigado por Fumar é uma sátira policamente incorreta sobre a indústria do tabaco e de como este lobista ganha a vida defendo os males do cigarro, ao mesmo tempo que precisa ser o modelo ideal ao seu filho adolescente. Um dos roteiros mais inteligentes que Hollywood poderia ter apresentado.
A história da jovem Hermila, que volta de São Paulo com seu filho recém-nascido para a casa da família - no interior do Ceará, ganha força (e fraqueza) através da interpretação de sua atriz Hermila Guedes. Ela espera a chegada do marido, mas esse não volta. Sem deixar que seus sonhos morram ali, naquela pequena cidade, encontra uma forma de ganhar dinheiro: uma noite de amor com ela através de uma rifa.
A artista multimídia Miranda July apresenta, neste seu primeiro longa metragem, um retrato do cotidiano com pequenas doses de humor e melancolia através de suas personagens. A história de uma artista que faz vídeos que se sente atraída por um vendedor de sapatos, com dois filhos para criar e recém separado, transforma situações cômicas em peças adoráveis. Destaque para um dos garotos que consegue ganhar o filme apenas usando o chat em seu computador. ))<>((
George Clooney apresenta esse Boa Noite e Boa Sorte de forma sucinta e elegante. A rivalidade entre o apresentador Edward R. Morrow (David Strathairn) versus o senador Joseph McCarthy, em plena era do macarthismo, é tratado agilmente pelo olhar cuidadoso de Clooney atrás das câmeras. Além da excepcional fotografia em P&B, dando um ar noir ao projeto, as cenas reais dos “julgamentos” constroem credibilidade ao material.
C.R.A.Z.Y. funcionando como uma espécie de Anos Incríveis, sem o conservadorismo norte-americano. O longa aborda temas como homossexualidade, drogas, música e religião de forma natural e imaginativa. Conquista o público, porque conversa com pessoas comuns como as representadas na tela, causando empatia pelos personagens. A trilha sonora impecável com clássicos dos Rolling Stones, David Bowie e Pink Floyd ganham seqüências extraordinárias.
Não é um documentário do Discovery Channel, porque é demasiado poético. A Marcha dos Pingüins ganha pontos ao tratar esses pequenos seres de forma humana. O diretor Luc Jacquet parece ter o poder de ler o que se passa emocionalmente na cabeça de cada um deles, mostrando como a natureza encontra força onde nós, seres humanos, nem podemos imaginar.
O Plano Perfeito apresenta um estória banal: assalto a banco. A diferença está na direção, o elenco e, principalmente, roteiro que estão em sintonia tirando o projeto da vala comum. Há momentos de tensão e o que parecia apenas chavões expostos nos minutos iniciais acabam dando uma dimensão maior ao desfecho da trama. Vale destacar como Spike Lee trabalha com a diversidade étnica em um ambiente como Nova Iorque.
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Domingo, Dezembro 31st, 2006 |
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Em seu primeiro álbum (The Milk Eyed Mender), Joanna Newsom era o típico caso de ame ou odeie. A cantora-harpista apresentava acordes raríssimos e delicados auxiliados da voz incomum de tom infantil. Agora, sua habilidade instrumental ganha orquestrações luxuosas de Van Dyke Parks (responsável pelo recente Smile, de Brian Wilson) nas cinco faixas de Ys. Gravado por Steve Albini (Pixies e PJ Harvey) as canções variam entre 7 a 17 minutos, sendo acariciadas por uma aura medieval. A sensação é de que o ouvinte passa a ser conduzido pela mão a um mundo imaginário.
As fábulas criadas por Newsom apresentam estranheza e intimidade - como em “Emily” dedicada à irmã da cantora, recriando-se melodicamente e poeticamente em seus longos minutos. Há uma densidade nas composições, nos violinos contrastados a harpa (“Cosmia”), banjos salientes (“Emily”) e orquestrações crescentes (“Only Skin”).
A artista continua sendo o típico caso do ame ou odeie. Porém, Ys é mágico em seus arranjos eficientes e imagens visualmente formadas a partir do vocal renascentista da cantora.
O álbum de estréia de Casey Dienel foi gravado em uma casa abandonada, numa fazenda, com a ajuda de alguns amigos do conservatório. Ela canta, escreve suas composições e toca o piano de forma encantadora. A garota, que diz ter crescido escrevendo canções no seu quarto “de portas fechadas para que ninguém as pudessem ouvir”, tem influências de Joni Mitchell, David Bowie e Cole Porter. Suas músicas tratam de “loucura, bêbados, homens velhos, gatos e cachorros, cowboys (…) e love affairs que deram errados”. São canções de uma descrição rara e harmonias de textura pegajosa. Não há excessos, tudo é muito bem estruturado e as gravações soam naturais - sem evidentes pressões de gravadoras.
Dica de download: “Frankie And Annette” (), “Fat Old Man” () e “Doctor Monroe” ()
A virtude de Regina Spektor é o estilo mutável que combina jazz, rock, R&B e música clássica. É criativa em suas composições e mostra domínio no piano que executa. Seja no pop barroco combinado a ritmos populares com audácia, sensibilidade (“Samson”) ou efervescência (“Après Moi”). Essa descendente de russos, mostra-se uma das artistas mais bem resolvidas no atual cenário musical com seu estilo próprio - seja na forma de cantar, na execução do piano que passeia por diversos tempos na mesma melodia ou quando volta às raízes e canta versos em russo, como acontece na faixa “Après Moi”, recitando frases do poeta Boris Pasternak, o autor do clássico Doutor Jivago.
Dica de download: “On the Radio” (), “Summer in the City” () e “Apres Moi” ()