Filme de estréia de Mitchell Lichteinstein, Teeth é uma das coisas mais bizarras, engraçadas e femininas do cinema independente atual. É uma versão de Edward, Mãos de Tesoura para meninas com puro girl “pussy” power.
A garota Dawn (a atriz Jess Weixler, que segura as pontas bem apesar do enredo) sofre como qualquer adolescente com a família, os garotos da escola e as dúvidas sobre o sexo - mesmo defendendo a castidade em um grupo de jovens. Mas, ela é diferente dos demais.
O filme sobre a menina com dentes na vagina, o mito conhecido como vagina dentata, peca pela falta de rumo. Não sabe se procura ser um suspense como Carrie - A Estranha, um romance sobre desvirginização ou um simples filme B com pênis decepados por uma vagina (que faz os garotos perderem a “cabeça”).
O enredo original é o que mais chama a atenção em Teeth. Muitas garotas devem se identificar com o poder feminino da fita, esquecer qualquer manual meloso de Sex and the City e tomar as rédeas de uma relação como Dawn faria. De forma justa.
Teeth (EUA, 2007)
Direção: Mitchell Lichtenstein
Com: Jess Weixler, John Hensley, Josh Pais, Adam Wagner, Hale Appleman. 88 min.
Para uma senhora de 49 anos, Hard Candy é um disco invejável. Já para o mercado fonográfico, apenas mais um a ilustrar as prateleiras da música pop com a assinatura de astros ilustres do hip hop.
O disco abre com “Candy Shop”, uma canção que nos joga no doce universo do trabalho. A canção empolga com seu hip hop requebrado, sem fugir da estética do N.E.R.D., de Pharrell. O mesmo acontece na deliciosa “Give it 2 Me”, um funk groove de melodia alucinante.
“She´s Not Me” abusa da disco music com sua base funkeada e letra de uma mulher que quer copiar a rainha do pop - impressionante como, de forma violenta, a música cresce ao ponto de explodir melodicamente. Aliás, modelar as faixas é um dom de Pharrell, basta prestar atenção no início morno de “Incredible” e no que a mesma se torna da metade ao fim - quando Madonna canta “It´s time to get your hands up / it´s time to get your body movin´” é impossível deixar o corpo e as mãos paradas com o batidão eletrônico cru e confuso.
Se as canções de Pharrel seguram o trabalho numa boa, as produzidas por Timbaland pecam na extrema falta de originalidade. Exemplo claro é o encontro de “What Goes Around / Comes Around” e “Cry Me a River” de Justin Timberlake, com direito a momentos de redenção sonora em sua atmosfera religiosa, que resulta em “Devil Wouldn’t Recognize You”. Um dos poucos acertos fica por conta do amor distante de “Miles Away” e sua levada acústica quebrada pela black music.
Já “Beat Goes On” parece não encontrar rumo até Kanye West tomar as rédeas, enquanto que a aula didática de espanhol em “Spanish Lesson” destaca-se por sua consistência sonora trabalhada.
Hard Candy é um disco pop de primeira linha. Falta é ousadia por parte de seus produtores em deixar o doce menos azedo.
Dicas de download: “Give it 2 Me”, “Incredible” e “Spanish Lesson”
Julie Delpy sempre me revelou um carisma raro no cinema atual. E isso o seu 2 Dias em Paris tem de sobra. É Delpy em seu estado puro.
Tudo é coordenado com naturalidade e sem necessidade de convencer. Desde a relação desengonçada do casal ao chegar em Paris aos encontros com a família da moça (os pais da atriz interpretam eles mesmos no longa e roubam a cena), sabendo medir os temas e os níveis dos diálogos na trama. A história da fotógrafa Marion (Delpy) e do designer norte-americano Jack (Adam Goldberg) seduz na química presente entre os atores principais. Com elementos do cinema de Richard Linklater (Antes do Amanhecer / Antes do Pôr-do-Sol), 2 Dias em Paris ganha cara de versão repaginada de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.
Os clichês do romance estão espalhados na fita, mas sem soar extremamente artificial. Afinal, o amor em si é um verdadeiro clichê com altos e baixos camuflado em conversas corriqueiras. Além de dirigir, produzir e editar a fita, Julie é encarregada da trilha sonora - por isso, preste atenção nos créditos na canção “Lalala” da cantora ao lado do Nouvelle Vague.
2 Dias em Paris (2 Days in Paris, França / Alemanha, 2007)
Direção: Julie Delpy
Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Brühl, Albert Delpy, Marie Pillet, Aleksia Landeau. 96 min.
Numa época em que o cinema de terror, basicamente, sobrevive de continuações e remakes, uma produção espanhola revitaliza e dribla todos os clichês do gênero de forma espetacular e perturbadora.
O Orfanato, produzido por Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno), conta com elementos característicos do gênero. Temos a casa mal assombrada (o orfanato), uma criança com amigos imaginários, memórias de infância, contato com os mortos e uma mãe desesperada em busca de seu filho desaparecido - guiados por um roteiro esperto, trilha sonora assustadora e edição precisa.
A estréia de Juan Antonio Bayona na direção é controlada em cada take assustador, com atuações surpreendentes de Belén Rueda (de Mar Adentro) e Geraldine Chaplin (de Doutor Jivago), provocando tensão até mesmo em espectadores que não se assustam facilmente.
Enquanto o cinema terror norte-americano encontra-se desorientado e excasso de originalidade, uma leva de cineastas hispânicos entregam um brilho renovador ao gênero.
O Orfanato (El Orfanato, México / Espanha, 2007)
Direção: Juan Antonio Bayona
Com: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Geraldine Chaplin. 110 min.
O enredo original de Irina Palm poderia ter sucesso fácil como um filme cômico no estilo Garotas do Calendário. Porém, a escolha do diretor Sam Garbarski de transformar seu projeto numa história dramática, torna o longa numa experiência devastadora e única ao seu espectador.
Poderia começar elogiando o roteiro audacioso e criativo, a trilha musical com guitarras desorientadas e rejeitadas criada pelo Ghinzu, a direção correta de Garbarski ou seu elenco de apoio. Mas não há como, já que o brilho do trabalho está em cada frame que a cantora/atriz Marianne Faithfull surge em cena como Maggie, uma viúva que busca dinheiro trabalhando numa sex shop para a cirurgia de seu neto.
Irina Palm é daqueles filmes que nos faz engolir seco. Principalmente pela situação de sobrevivência que seu personagem principal se encontra e a força que revela diante dos olhos de terceiros em busca de um bem comum.
Irina Palm (Bélgica / Inglaterra / Alemanha / França, 2007)
Direção: Sam Garbarski
Com: Marianne Faithfull, Miki Manojlovic, Kevin Bishop, Siobhan Hewlett, Dorka Gryllus, Jenny Agutter. 104 min.
Com a sua terceira temporada, The Office continua se mostrando como uma das melhores comédias da década. A química entre o elenco continua expandindo com um timing perfeito para comédia, nas tramas existente no ambiente de trabalho e suas revelações individuais - já que a série é realizada de forma documental.
Já começa bem no primeiro episódio, ao relevar que um dos funcionários da Dunder Miffin é homossexual. Não precisa dizer que Michael Scott (personagem de Steve Carrell) faz de tudo para equilibrar a situação e manifestar a aceitação do grupo, mas só piora as coisas. Dá para citar momentos únicos como: o vídeo de orientação, o relacionamento “proibido” entre Michael e sua chefe com direito a viagem secreta para a Jamaica, o casamento de Phyllis, o morcego na empresa, a girl talk de Michael com as suas funcionárias num shopping ou a viagem dos funcionários cantando o tema dos Flinstones.
Esta também é a temporada onde alguns coadjuvantes se sobressaem e têm espaço garantido na série. Entre eles os personagens Creed, Meredith (conhecida como a bêbada do programa) e Kevin (com atuação única ao cantar “You Oughta Know” de Alanis Morissette). E ainda vale destacar, o amor impossível de Pam e Jim (Jenna Fischer e John Krasinski) - uma das coisas mais fofas na televisão desde que Friends deixou espectadores orfãos do romance impossível de Ross e Rachel.
Pode parecer exagerado, mas quando se fala que The Office é uma das melhores comédias da década, ninguém consegue dizer o contrário.
A volta de David Duchovny à televisão, fora da pele do agente Mulder de Arquivo X, foi reconhecida com um Globo de Ouro de melhor ator em série comédia. Californication, filha do canal Showtime, é uma versão de Sex and the City para marmanjões.
Hank Moody (Duchovny) é autor de um best-seller que chega ao fundo do poço após sua publicação receber uma péssima adaptação ao cinema. Sem idéias para um novo material, tão esperado quanto o novo álbum do Guns n´ Roses, deixa a bebiba e o sexo tomarem conta de sua vida. Seu único trabalho é escrever, contra a sua vontade, em um blog.
Sua carreira vai de mal a pior, assim como sua vida pessoal: a mãe de sua filha está prestes a se casar com outro homem. Para continuar o tricô, Hank transa com uma garota de 16 anos, que mais tarde descobre ser filha do futuro marido de sua ex.
Se o papel de Duchovny tem destaque na série, é porque as melhores cenas do ator são acompanhadas da talentosa Natascha McElhone. Californication procura extravagância e ousadia em sua temática sexual, mas com o seu andamento não passa de um bom programa familiar camuflado.
Em 1999, o cinema independente descobriu a fórmula milionária do amadorismo digital e do marketing na Internet. O produto: A Bruxa de Blair. Quase dez anos depois, Cloverfield trilha os passos da bruxa com suas cenas gravadas em formato caseiro/documental. O filme produzido por J.J. Abrams (de Lost) não tem apenas estratégia similar ao pequeno projeto, como também traça semelhanças na estrutura de sua trama com inovações tecnológicas.
The Blair Witch Godzilla Project, como o longa está sendo chamado, ganha forma numa festa de despedida (preste atenção nas músicas de The Coconut Records, Spoon, Gorillaz, Joan as Police Woman, Kings of Leon, … praticamente uma festa indie - download aqui) interrompida por explosões, prédios que desabam e a cabeça da Estátua da Liberdade rolando pelas ruas de Nova Iorque. A partir daí, é cinema com câmera tremida na mão e histeria para fugir de uma criatura disposta a destruir tudo o que vê pela frente.
A escolha de trabalhar com o documental possibilita que o espectador participe com certo realismo da ação em takes que nunca são os melhores e um elenco que se esforça para convencer. Porém, se o filme peca em quesitos básicos, a primeira leva de efeitos especiais surge para entreter o seu público até o final.
Cloverfield não é um filme ruim, está apenas fora de seu tempo. Com o atraso de uma década.
Cloverfield - Monstro (Cloverfield, EUA, 2008)
Direção: Matt Reves
Com: Michael Stah-David, Lizzy Caplan, T.J. Miller, Jessica Lucas, Anjul Nigam e Mike Vogel. 78 min.
Um álbum de covers não é tarefa fácil quando comparações são praticamente inevitáveis. Em Just a Little Lovin’, Shelby Lynne presta homenagem ao legado de Dusty Springfield, uma de suas heroínas na música.
O álbum firma-se numa aura jazzística regrada, sem as grandes orquestrações das versões originais, com piano e guitarras. O alt-country de “Willie and Laura Mae Jones” soa o momento mais confortável à Lynne. Por outro lado, as melodias sublimes e emotivas de “Anyone Who Had a Heart” e “You Don’t Have to Say You Love Me” transformam-se em atração com seu vocal sereno.
Just a Little Lovin’ sobrevive como disco tributo. Porém, é um trabalho pequeno e limitado na carreira da artista.
Dicas de download: “Anyone Who Had a Heart” (vídeo), “Willie and Laura Mae Jones” e “How Can I Be Sure”
Os Coen ficaram famosos em Hollywood com suas histórias de suspense com humor negro. Perguntei-me muito o que o elogiadíssimo Onde os Fracos Não Têm Vez tinha de tão especial antes de assisti-lo, já que a violência esteve sempre presente no currículo dos irmãos. A diferença desse projeto, em relação aos materiais anteriores, é que temos a dupla em seu trabalho mais cru e maduro sem fugir de seu território.
Baseado na obra de Corman McCarthy, a adaptação dos Coen para o cinema mistura thriller com road movie. Se no aclamado Fargo a violência era transformada em riso contido, as cenas de morte aqui têm poder de silenciar seu espectador como uma presa diante da frieza de seu malfeitor.
A história conta como um caçador (Josh Brolin), ex-veterano do Vietnã, encontra uma fortuna em dinheiro no meio dos corpos de uma venda de drogas que deu errado. A decisão de fugir com a grana faz dele alvo de um assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Barden, como o vilão do ano). Enquanto isso, um policial (Tommy Lee Jones, a alma do filme), perto de se aposentar, procura desvendar a crueldade dos acontecimentos sempre a um passo atrás.
Um dos méritos do projeto é seu elenco, inclusive a coadjuvante Kelly Macdonald que demonstra grande eficiência e brilho próprio. A ausência de trilha sonora, sem a música crescente para ressaltar a intensidade das cenas, e excassez de longos diálogos faz com que o filme leve o seu espectador em direção ao desconhecido e inesperado.
Onde os Fracos Não Têm Vez cresce após a sua exibição. Quando ao recordar dos detalhes da violência, os textos de reflexão, a falta da trilha sonora - como exercício em seu público, a brutalidade crua ou o enigma de seus personagens, deixamos de nos deparar com um simples enredo de mocinhos e bandidos. É um trabalho coeso, sem benefeciar seus personagens, administrado de forma espetacular pelos Coen. Possivelmente, um dos grandes filmes do ano.
Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, EUA, 2007)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald e Beth Grant. 122 min.
From the Photographs, do trio canadense Laura Peek and the Winning Hearts, revela uma beleza singular. É um trabalho relativamente pequeno que cresce gradativamente quando executado do início ao fim.
A produção - estréia de Mike O´Neill - carrega influências de Julie Doiron e Belle and Sebastian em suas articulações sonoras. O vocal e piano delicado de Laura encontra sintonia em seus companheiros, o baterista Dave Ewenson e o baixista Joel Gonguen.
Sem guitarras, conduzem um indie pop tímido com elementos do jazz (“So Sorry” / “The Verdict”) em composições melancólicas (“Social Graces”) contrastadas por melodias otimista (“Last Thing You Deserved” / “Stand Right There”).
Clipe de “Stand Right There”
Diante desta tempestade de sentimentos e harmonias, From the Photographs sustenta-se principalmente em sua versatilidade.
Dica de download: “A Year Now”, “Vermont” e “Last Thing You Deserved”
Em sua terceira temporada, Weeds trilha um caminho sem voltas a Nancy Botwin (a sensacional Mary-Louise Parker em um dos melhores papéis femininos da televisão). Viúva e mãe de dois filhos, ela passa a vender maconha (MILF weed) para manter o padrão da família em um pequeno subúrbio.
Se antes os problemas com a polícia e a máfia tiravam as noites de sono da pobre dona de casa, agora algo inédito acontece: a protagonista mantêm o controle das situações com sua versão feminina de Tony Soprano.
Weeds é uma das poucas séries que abusa (ironicamente) de drogas, religião, sexo e família sem tropeços. Seu elenco equilibra naturalidade com exagero - vide o caso da coadjuvante Elizabeth Perkins, um dos grandes destaques desta temporada com uma cena de nudez corajosa. Já as participações especiais de Mary-Kate Olsen, Carrie Fischer e Matthew Modine desenham imoralidade de poder em cada aparição.
Weeds tinha tudo para dar errado. É policamente incorreta com seus anti-heróis, mas seus pequenos atos ilícitos de sobrevivência transformam o show em um excelente e relaxante momento de vinte minutos.
Superbad segue a tradição de filmes como American Pie e A Vingança dos Nerds. A nova empreitada do produtor Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos) diferencia-se das fitas do gênero por ser mais esperto e naturalmente escrachado, fugindo da fórmula convencional que o cinema teen oferece.
A história não poderia ser mais simples. Dois adolescentes, invisíveis na escola e sem sorte com as garotas, são convidados para uma festa e ficam encarregados de comprar as bebidas do evento. A tarefa é concedida a eles, pois têm um amigo que pode providenciar o álcool com uma carteira de identidade falsa, e esta seria a oportunidade de ambos perderem a virgindade antes de se despedirem do ensino médio. Seth (Jonah Hill) é louco por descobrir o sexo, Evan (Michael Cera, de Arrested Development) tem uma idéia mais romântica do ato e a tentiva de comprar as bebidas coloca o “amigo” Fogell (Christopher Mintz-Plasse) numa série de incidentes não previstos com a polícia.
O elenco funciona bem, destacando o ar nonsense do personagem de Michael Cera (fazendo dupla perfeita com Jonah Hill) e o carismático nerd-sortudo Fogell/McLovin (que rouba o filme) interpretado por Christopher Mintz-Plasse.
Assistir Superbad, sabendo o terreno em que se pisa, é puro entretenimento. Sim, é sobre adolescentes que querem encher a cara e perder a virgindade o mais rápido possível. Mas além disso, é a despedida de uma fase inocente que você não precisa ser um moleque para se divertir, e quem sabe se identificar, com as situações.
Superbad - É Hoje (Superbad, EUA, 2007)
Direção: Greg Mottola
Com: Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen. 114 min.
Uma das (muitas) qualidades do New Pornographers é a química entre seus integrantes - que conciliam projetos paralelos e encontram tempo na agenda para produzir um pop de primeira. Suas composições contagiantes poderiam ser definidas como uma conversa entre Burt Bacharach e Brian Wilson sobre as felicidades e as desilusões da vida.
O quarto álbum desses canadenses, Challengers, não é diferente dos anteriores. Claro que o processo evolutivo está evidente nas melodias com menos sintetizadores e enriquecidas pelos instrumentos de cordas e sopro. A pureza desses elementos está registrada logo em sua faixa de abertura, “My Rights Versus Yours”, deixando com que o disco tome um caminho sem percursos arriscados como acontece também nas embaladas “Mutiny, I Promise You” e “All the Old Showstoppers”.
A faixa título (vídeo) e o belíssimo hino ao amor de “Go Places” permitem que o vocal melancólico de Neko Case contribua nas sonoridades e intesidade da letra. No entanto, o ápice do entusiasmo revela-se na quinta faixa do álbum, “All the Things That Go to Make Heaven and Earth”, com suas harmonias e vozes que procuram uma porta para saltarem dos fones de ouvido.
Parte da crítica desmereceu o trabalho da banda, justificando ser correto demais e não tão brilhante quanto o seu antecessor, o elogiado Twin Cinema - considerado um dos melhores discos de 2005. Challengers soa um título adequado ao novo álbum, já que o desafio de lançar um registro superior estava lançado. O principal defeito de Challengers é querer ser perfeito demais. E sua qualidade: competência em conseguir.
Dica de download: “All the Things That Go to Make Heaven and Earth”, “Go Places” e “My Rights Versus Yours” (MP3)
Ligeiramente Grávidos cruza os destinos de uma ambiciosa produtora que passa a ser repórter de um canal de entretenimento e a de um bobalhão perto da casa dos 30 que divide uma casa com quatro amigos imaturos.
Para comemorar a promoção no trabalho Alison (Katherine Heigl, da série Grey´s Anatomy) vai ao clube com a irmã casada, conhece o loser Ben (Seth Rogen) e os dois acabam transando por conta de um porre fenomenal. Estaria tudo bem, se depois daquela noite nunca mais se vissem. Mas Alison liga para o rapaz após oito semanas com uma surpresa: está grávida.
Judd Apatow (diretor/roteirista do sucesso O Virgem de 40 Anos) esforça-se o possível para diblar os clichês que as fitas do estilo carregam. Seu elenco divide atenções de forma equilibrada, inclusive os coadjuvantes Leslie Mann e Paul Rudd fazendo um casal em conflito - aliás, Mann tem praticamente as melhores sacadas do filme e (talvez) de sua carreira.
Repleto de referências na cultura pop, Ligeiramente Grávidos sustenta suas piadas do início ao fim de forma ágil por saber conversar diretamente com seu público-alvo sem ser excessivamente debilóide.