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Batman - O Cavaleiro das Trevas

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Nunca fui fã de quadrinhos e desde que Tim Burton abandonou o cargo de diretor da série Batman, o herói tornou-se extremamente desinteressante. Em 2005, depois de encontrar o desastre carnavalesco e caricato criado por Joel Schumacher, Batman Begins anunciava um bom recomeço à série do homem-morcego nas telas sob a direção de Christopher Nolan. Dito e feito.

Batman - O Cavaleiro das Trevas carrega um clima sombrio e denso numa caótica Gothan City. Começa bem ao apresentar o seu melhor vilão, o sádico e carismático Coringa (interpretado de forma impecável por Heath Ledger), num irreverente assalto a banco. O filme tem a seu favor um grandioso elenco, um roteiro que sintetiza humor da anarquia, boas seqüências de ação com doses de intensidade (destaque para a cena do hospital) e bons diálogos.

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Se por um lado somos cativados pela insanidade do Coringa, surge o promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), um homem que trabalha pela justiça e sem máscara, conquistando a confiança do tenente Gordon (Gary Oldman) e do próprio Bruce Wayne (Christian Bale, o melhor Batman até o momento). A história de Dent (ou o Duas Caras) desenvolve-se, diferente do que acontece em Batman Forever, que o vilão aparece pronto numa interpretação exagerada e insignificante de Tommy Lee Jones.

Batman - O Cavaleiro das Trevas é exatamente o que a crítica especializada diz: “o melhor filme de super-herói já feito”. É uma visão mais realista dos fatos sem procurar ser correto demais em seu caminho. Ou como já se fala por aí, O Poderoso Chefão dos quadrinhos no cinema.

Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008)
Direção: Christopher Nolan
Com: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Michael Cane, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal. 152 min.

Scarlett Johansson - Anywhere I Lay My Head

Scarlett Johansson - Anywhere I Lay My HeadO trabalho de produção de David Andrew Sitek, do TV on the Radio, é o grande atrativo de Anywhere I Lay My Head. Dito isso, podemos falar sobre a experiência de Scarlett Johansson como cantora.

O vocal da musa de Woody Allen revela-se restrito diante das belas orquestrações e arranjos arquitetados. Logo surge a pergunta: a atriz realmente canta ou as sonoridades camuflam a sua ausência de talento?

As composições de autoria de Tom Waits sustentam-se na voz linear e anasalada da atriz, mas a força e entusiasmo derivam particularmente dos arranjos épicos, como acontece logo na faixa inicial (“Fawn”).

A aura sombria que constrói o álbum, em faixas como “Town With no Cheer” e “Green Grass”, contrasta com peculiaridades pop (exemplo da deslocada “I Don´t Want to Grow Up”) e delicadeza (na caixinha de música de “I Wish I Was in New Orleans”). A presença de David Bowie, em “Falling Down” (vídeo) e “Fannin´Street”, é totalmente ofuscada por instrumentações e coros, deixando que o nome do roqueiro funcione mais como publicidade.

Scarlett Johansson

A aventura de Johansson como cantora, esclarece que no cenário do entretenimento seu lugar é nas telas. Apesar de Anywhere I Lay My Head ser um trabalho atraente, poderia ser conduzido (ou interpretado) por qualquer vocalista (ou ator) com um pingo de talento. E isso Scarlett tem.

Dicas de download: “Anywhere I Lay My Head”, “Falling Down” e “I Wish I Was In New Orleans”

WALL·E

WALL·E

Nos últimos anos, os desenhos da Pixar atingiram um patamar invejável na indústria cinematográfica. Seus roteiros são tão humanos que abstraem toda a tecnologia utilizada em suas produções. WALL·E, do diretor Andrew Stanton (de Procurando Nemo), não é exceção.

O filme toma partida em 2815 e centra-se inicialmente nas atividades do robô WALL·E. Ele é a única coisa que sobrou depois que todos os humanos abandonaram o planeta. Além de trabalhar organizando o lixo deixado na Terra, passa o tempo colecionando objetos ordinários, assiste diariamente um trecho de seu musical favorito (Alô, Dolly!) e interage com sua barata de estimação.

Wall-E é uma espécie de R2-D2 com mecanismo de Charlie Chaplin e Buster Keaton em seu sistema. A solidão do pequeno robô desaparece quando Eve, uma máquina programada com missão de encontrar vida na Terra, aparece para lhe fazer companhia.

A ausência de diálogos é auxiliada pela vibrante trilha sonora de Thomas Newman - responsável pelas composições de Beleza Americana e o tema da série A Sete Palmos - que se aproveita de elementos de clássicos como 2001 - Uma Odisséia no Espaço e “Danúbio Azul” nesta produção da Pixar.

WALL·E, além de entretenimento para todas as idades, é um plug-in sem programação nas mais profundas emoções humanas.

WALL·E (EUA, 2008)
Direção: Andrew Stanton
Vozes de: Ben Burtt, Elissa Knight, Kathy Najimy, Sigourney Weaver. 103 min.

Cyndi Lauper - Bring Ya to the Brink

Cyndi Lauper - Bring Ya to the BrinkVinte cinco anos depois de dar a cara a bater no mundo pop, Cyndi Lauper finalmente se livra da imagem dos anos 80 com seu Bring Ya to the Brink, o primeiro material de faixas inéditas em doze anos.

Os primeiros segundos de “High and Mighty”, faixa que abre o disco, anunciam a fase repaginada da artista em sua batida dançante que emenda no ritmo pop festivo de “Into the Nightlife”.

O trabalho é moderno, eufórico e agradável pelo seu time de produção que conta com Basement Jaxx (“Rocking Chair”), Scumfrog - que já fez hits para Kylie Minogue - e Kleerup (“Lay Me Down”). Bring Ya to the Brink contrasta a animação das melodias com críticas à indústria das celebridades (“Raging Storm”) e altos e baixos na carreira de Lauper, como quando canta: “Se eu ganhasse um dólar por todas às vezes que chorei / estaria vivendo no topo e poderosa”.

Cyndi Lauper - Bring Ya to the Brink

Os críticos de plantão encontram similaridades quando o disco explode ao som de elementos de Confessions on a Dance Floor, de Madonna, como acontece no single “Into the Nightlife” (vídeo). No entanto, não há nenhum impedimento para que a dona de clássicos como “Girls Just Want to Have Fun” faça suas próprias confissões nas pistas de dança e adote novos clássicos em sua carreira.

Dicas de download: “Echo”, “Rocking Chair” e “Same Ol’ Story”

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

O drama familiar “soco no estômago” Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, dirigido pelo veterano Sidney Lumet (responsável por clássicos como Um Dia de Cão e Serpico), é o típico projeto que quanto menos se sabe, melhor é. A história de dois irmãos que precisam de dinheiro e planejam assaltar uma joalheria para consegui-lo, torna-se uma experiência familiar extremamente desconfortante.

O filme tem tudo a seu favor: elenco afiado - todos os atores estão em sintonia e brilham em cena -, roteiro bem estruturado e edição dinâmica que manifesta em doses a trama.

O roteiro de Kelly Masterson expulsa qualquer carisma que se possa ter pelos personagens e sem que você sinta pena de nenhum deles. O trabalho como um todo, concretiza que o talento de Sidney Lumet não envelheceu.

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead, EUA, 2007)
Direção: Sidney Lumet
Com: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Rosemary Harris, Michael Shannon. 117 min.

Sex and the City - O Filme

Sex and the City

Sex and the City - O Filme é praticamente a mesma coisa que pegar e emendar cinco episódios na íntegra da série e nem sentir o tempo passar. O filme toma partida exatamente onde o programa termina - em sua sexta temporada, bem fraquinha por sinal. Para quem nunca acompanhou pela televisão, rola um previously on Sex and the City nos créditos de abertura deixando todos a par dos últimos acontecimentos.

Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) planeja seu casamento com Mr. Big (Chris Noth), mas nem tudo é perfeito. A advogada Miranda (Cynthia Nixon) luta para manter um casamento estável. A otimista Charlotte (Kristin Davis, o brilho do longa) é a mais feliz de todas com a sua família. Enquanto, o furacão sexual Samantha (Kim Cattrall) vive em Los Angeles, onde administra a carreira de seu namorado, uma vida mais regrada.

No meio dessas quarentonas, sobra para a assistente de Carrie - a dreamgirl Jennifer Hudson - colocar a sua perspectiva jovem sobre o amor e as grifes (love and labels), ganhando a audiência com seu carisma.

O público, diferente das críticas negativas, ri bem alto de situações engraçadas e se emociona (ao ponto de chorar) em outras mais delicadas. Sex and the City - O Filme é um bonito e completo season finale de Sex and the City - A Série. Continua revolucionando o universo pop (inclusive com uma trilha sonora bem mulherzinha), fashionista e o comportamento feminino (e masculino) por onde desfila.

Sex and the City - Filme (Sex and the City, EUA, 2008)
Direção: Michael Patrick King
Com: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon, Kristin Davis, Christopher Noth, Jennifer Hudson. 145 min.

Skins - Segunda Temporada

Skins

Fuck it,

Em sua segunda temporada, Skins atingiu um patamar de “série para levar a sério”. O modo engraçado, banal e incorreto que inicialmente tomava a vida de um grupo de jovens ingleses - que produz hormônios 24 horas à base de drogas - foi consumido por temas diversos em sua segunda fase.

Os conflitos dos personagens ganharam proporções além das estabelecidas na primeira temporada do programa. A urgência juvenil foi interrompida por gravidez na adolescência, crises familiares, a despedida do colegial, morte e traições no círculo de amizade, homossexualidade, permitindo que a maioria de seu elenco ganhasse reconhecimento com os respectivos eventos.

A trilha sonora, sempre escolhida a dedo, continua sendo um dos grandes atrativos. Canções do Arcade Fire, Radiohead, Adele - “Hometown Glory” comove qualquer um com a cena de Cassie -, LCD Soundsystem, Feist, The White Stripes e até mesmo a pérola pop “Oops… I Did It Again” de Britney Spears dão cara à excentricidade dos personagens.

Em sua segunda fase, Skins prova que deixou de ser uma série exclusivamente para adolescentes, mas especialmente sobre eles.

* o fuck it do início desse post faz sentido a quem assistir a segunda temporada. Afinal, o meu papel não é ficar relatando episódios e estragar a alegria dos telespectadores.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal traz elementos essenciais da série do arqueólogo: piadinhas, aventura extremamente exagerada, mitologia, personagens carismáticos e o saudável capitalismo norte-americano na figura do herói. Para quem esperou quase vinte anos pelo retorno de Indiana, identifica-se com as referências dos filmes anteriores - de personagens a artefatos, como a volta da atriz Karen Allen e a arca perdida da fita de 1981.

Dr. Jones está velho, faz graça com a idade e continua sendo um ser praticamente imortal. Quando a ação começa a guiar o projeto (e obviamente você está preparado para situações surreais), o longa toma forma auxiliado dos acordes clássicos de John Williams.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

O Reino da Caveira de Cristal está longe de ser o melhor filme da série, assim como sua trama que não é tão interessante como as anteriores. No entato, com elementos primordias como uma vilã classuda (Cate Blanchett entrega-se ao papel) equilibrada com a doce Marion Ravenwood (a carismática atriz Karen Allen), o filme se sustenta até o fim tranquilamente.

Se a idade parece ser avançada para limitar as peripécias de Jones, o seu espírito aventureiro continua intacto. A idéia de aposentar o ator e passar o chapéu ao astro Shia LaBeouf (de Transformers), não funciona pela falta de carisma e ar “frangote” do garoto.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

A volta do personagem é uma grande oportunidade de apresentar o “herói humano” mais interessante do cinema para uma geração que parece nem saber quem ele era até semana passada e desconhecia a falta de originalidade em A Lenda do Tesouro Perdido. Porém, se fosse preciso esperar mais 19 anos a volta de Indy, o entusiasmo possivelmente não seria o mesmo desse tempo de espera.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, EUA, 2008)
Direção: Steven Spielberg
Com: Harrison Ford, Shia LaBeouf, Cate Blanchett, Ray Winstone, Karen Allen, John Hurt, Jim Broadbent. 123 min.

Teeth

Teeth

Filme de estréia de Mitchell Lichteinstein, Teeth é uma das coisas mais bizarras, engraçadas e femininas do cinema independente atual. É uma versão de Edward, Mãos de Tesoura para meninas com puro girl “pussy” power.

A garota Dawn (a atriz Jess Weixler, que segura as pontas bem apesar do enredo) sofre como qualquer adolescente com a família, os garotos da escola e as dúvidas sobre o sexo - mesmo defendendo a castidade em um grupo de jovens. Mas, ela é diferente dos demais.

O filme sobre a menina com dentes na vagina, o mito conhecido como vagina dentata, peca pela falta de rumo. Não sabe se procura ser um suspense como Carrie - A Estranha, um romance sobre desvirginização ou um simples filme B com pênis decepados por uma vagina (que faz os garotos perderem a “cabeça”).

O enredo original é o que mais chama a atenção em Teeth. Muitas garotas devem se identificar com o poder feminino da fita, esquecer qualquer manual meloso de Sex and the City e tomar as rédeas de uma relação como Dawn faria. De forma justa.

Teeth (EUA, 2007)
Direção: Mitchell Lichtenstein
Com: Jess Weixler, John Hensley, Josh Pais, Adam Wagner, Hale Appleman. 88 min.

Madonna - Hard Candy

Madonna - Hard CandyPara uma senhora de 49 anos, Hard Candy é um disco invejável. Já para o mercado fonográfico, apenas mais um a ilustrar as prateleiras da música pop com a assinatura de astros ilustres do hip hop.

O disco abre com “Candy Shop”, uma canção que nos joga no doce universo do trabalho. A canção empolga com seu hip hop requebrado, sem fugir da estética do N.E.R.D., de Pharrell. O mesmo acontece na deliciosa “Give it 2 Me”, um funk groove de melodia alucinante.

“She´s Not Me” abusa da disco music com sua base funkeada e letra de uma mulher que quer copiar a rainha do pop - impressionante como, de forma violenta, a música cresce ao ponto de explodir melodicamente. Aliás, modelar as faixas é um dom de Pharrell, basta prestar atenção no início morno de “Incredible” e no que a mesma se torna da metade ao fim - quando Madonna canta “It´s time to get your hands up / it´s time to get your body movin´” é impossível deixar o corpo e as mãos paradas com o batidão eletrônico cru e confuso.

Madonna - Hard Candy

Se as canções de Pharrel seguram o trabalho numa boa, as produzidas por Timbaland pecam na extrema falta de originalidade. Exemplo claro é o encontro de “What Goes Around / Comes Around” e “Cry Me a River” de Justin Timberlake, com direito a momentos de redenção sonora em sua atmosfera religiosa, que resulta em “Devil Wouldn’t Recognize You”. Um dos poucos acertos fica por conta do amor distante de “Miles Away” e sua levada acústica quebrada pela black music.

“Beat Goes On” parece não encontrar rumo até Kanye West tomar as rédeas, enquanto que a aula didática de espanhol em “Spanish Lesson” destaca-se por sua consistência sonora trabalhada.

Hard Candy é um disco pop de primeira linha. Falta é ousadia por parte de seus produtores em deixar o doce menos azedo.

Dicas de download: “Give it 2 Me”, “Incredible” e “Spanish Lesson”

2 Dias em Paris

2 Dias em Paris

Julie Delpy sempre me revelou um carisma raro no cinema atual. E isso o seu 2 Dias em Paris tem de sobra. É Delpy em seu estado puro.

Tudo é coordenado com naturalidade e sem necessidade de convencer. Desde a relação desengonçada do casal ao chegar em Paris aos encontros com a família da moça (os pais da atriz interpretam eles mesmos no longa e roubam a cena), sabendo medir os temas e os níveis dos diálogos na trama. A história da fotógrafa Marion (Delpy) e do designer norte-americano Jack (Adam Goldberg) seduz na química presente entre os atores principais. Com elementos do cinema de Richard Linklater (Antes do Amanhecer / Antes do Pôr-do-Sol), 2 Dias em Paris ganha cara de versão repaginada de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

Os clichês do romance estão espalhados na fita, mas sem soar extremamente artificial. Afinal, o amor em si é um verdadeiro clichê com altos e baixos camuflado em conversas corriqueiras. Além de dirigir, produzir e editar a fita, Julie é encarregada da trilha sonora - por isso, preste atenção nos créditos na canção “Lalala” da cantora ao lado do Nouvelle Vague.

2 Dias em Paris (2 Days in Paris, França / Alemanha, 2007)
Direção: Julie Delpy
Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Brühl, Albert Delpy, Marie Pillet, Aleksia Landeau. 96 min.

O Orfanato

O Orfanato

Numa época em que o cinema de terror, basicamente, sobrevive de continuações e remakes, uma produção espanhola revitaliza e dribla todos os clichês do gênero de forma espetacular e perturbadora.

O Orfanato, produzido por Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno), conta com elementos característicos do gênero. Temos a casa mal assombrada (o orfanato), uma criança com amigos imaginários, memórias de infância, contato com os mortos e uma mãe desesperada em busca de seu filho desaparecido - guiados por um roteiro esperto, trilha sonora assustadora e edição precisa.

A estréia de Juan Antonio Bayona na direção é controlada em cada take assustador, com atuações surpreendentes de Belén Rueda (de Mar Adentro) e Geraldine Chaplin (de Doutor Jivago), provocando tensão até mesmo em espectadores que não se assustam facilmente.

Enquanto o cinema terror norte-americano encontra-se desorientado e excasso de originalidade, uma leva de cineastas hispânicos entregam um brilho renovador ao gênero.

O Orfanato (El Orfanato, México / Espanha, 2007)
Direção: Juan Antonio Bayona
Com: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Geraldine Chaplin. 110 min.

Irina Palm

Irina Palm

O enredo original de Irina Palm poderia ter sucesso fácil como um filme cômico no estilo Garotas do Calendário. Porém, a escolha do diretor Sam Garbarski de transformar seu projeto numa história dramática, torna o longa numa experiência devastadora e única ao seu espectador.

Poderia começar elogiando o roteiro audacioso e criativo, a trilha musical com guitarras desorientadas e rejeitadas criada pelo Ghinzu, a direção correta de Garbarski ou seu elenco de apoio. Mas não há como, já que o brilho do trabalho está em cada frame que a cantora/atriz Marianne Faithfull surge em cena como Maggie, uma viúva que busca dinheiro trabalhando numa sex shop para a cirurgia de seu neto.

Irina Palm é daqueles filmes que nos faz engolir seco. Principalmente pela situação de sobrevivência que seu personagem principal se encontra e a força que revela diante dos olhos de terceiros em busca de um bem comum.

Irina Palm (Bélgica / Inglaterra / Alemanha / França, 2007)
Direção: Sam Garbarski
Com: Marianne Faithfull, Miki Manojlovic, Kevin Bishop, Siobhan Hewlett, Dorka Gryllus, Jenny Agutter. 104 min.

 
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