Filme de estréia de Mitchell Lichteinstein, Teeth é uma das coisas mais bizarras, engraçadas e femininas do cinema independente atual. É uma versão de Edward, Mãos de Tesoura para meninas com puro girl “pussy” power.
A garota Dawn (a atriz Jess Weixler, que segura as pontas bem apesar do enredo) sofre como qualquer adolescente com a família, os garotos da escola e as dúvidas sobre o sexo - mesmo defendendo a castidade em um grupo de jovens. Mas, ela é diferente dos demais.
O filme sobre a menina com dentes na vagina, o mito conhecido como vagina dentata, peca pela falta de rumo. Não sabe se procura ser um suspense como Carrie - A Estranha, um romance sobre desvirginização ou um simples filme B com pênis decepados por uma vagina (que faz os garotos perderem a “cabeça”).
O enredo original é o que mais chama a atenção em Teeth. Muitas garotas devem se identificar com o poder feminino da fita, esquecer qualquer manual meloso de Sex and the City e tomar as rédeas de uma relação como Dawn faria. De forma justa.
Teeth (EUA, 2007)
Direção: Mitchell Lichtenstein
Com: Jess Weixler, John Hensley, Josh Pais, Adam Wagner, Hale Appleman. 88 min.
Para quem já está ansioso para assistir ao filme Speed Racer ou o choque de cores vibrantes dos irmãos Wachowski (da trilogia Matrix), pode conferir sete minutos do longa (sem pagar o ingresso):
Se tem um filme que estou ansioso para assistir é Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Não é só o retorno do arqueólogo mais legal do cinema, mas também a presença de Cate Blanchett como vilã e a volta da atriz Karen Allen à série.
É filme pipoca com sabor de nostalgia e produção de primeira como dá para assistir no trailer final:
Trailer de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Ahhhh… essa música tema já anuncia coisa boa. O longa, dirigido por Steven Spielberg, entra em cartaz mundialmente no dia 22 de maio.
Pelas imagens que circulam na Internet, o filme tem cara de ser uma comédia de humor negro no melhor estilo dos Coen. No entanto, o que realmente chama a atenção é seu talentoso elenco: John Malkovich, George Clooney, Brad Pitt, Tilda Swinton e Frances McDormand.
O roteiro é inspirado no romance Burn Before Reading: Presidents, CIA Directors, and Secret Intelligence de Stansfield Turner. Relata a história de um ex-agente da CIA (Malkovich) que ao escrever um livro com memórias e arquivos confidenciais do Governo acaba num jogo de chantagem - por parte de Brad Pitt - quando perde o material. McDormand faz o papel da esposa do agente e Clooney um assassino da CIA escalado para resolver a situação.
Joel e Ethan, como de costume, assinam o roteiro e a direção. A estréia está prevista para setembro.
O diretor indiano Tarsem Singh, conhecido pelos seus belos delírios visuais - basta lembrar de todo o conceito e estética de A Cela com Jennifer Lopez - volta com The Fall.
Eleito o melhor filme na 40ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Sitges ano passado, o projeto é apadrinhado pelos cineastas David Fincher e Spike Jonze.
Ambientado na Hollywood dos anos 20, o filme conta a história de um homem internado num hospital (interpretado por Lee Pace, de Pushing Daisies) que ao conhecer uma menina imigrante enferma, cria um laço de amizade com a garota e passa a contá-la histórias fantásticas.
Trailer de The Fall
The Fall entra em cartaz no dia 09 de maio nos Estados Unidos. Esse é para assistir no cinema.
Blindness, a adaptação cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira do escritor premiado pelo Nobel de literatura José Saramago, está com o seu primeiro trailer disponível na Internet. O filme de Fenando Meirelles, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, teve parte das filmagens realizadas em São Paulo.
O livro narra uma epidemia de cegueira e sua versão para o cinema conta com um elenco de primeira, como: Mark Ruffalo, Julianne Moore, Gael García Bernal, Sandra Oh, Danny Gloover e Alice Braga. Gosto do comentário do cineasta em seu blog (de produção) ao definir uma cena de Moore como “Capitão Nascimento revisitado” - aliás, já está mais que na hora da atriz levar uma estatueta do Oscar para casa.
Trailer de Blindness
O filme chega aos cinemas norte-americanos em setembro .
Julie Delpy sempre me revelou um carisma raro no cinema atual. E isso o seu 2 Dias em Paris tem de sobra. É Delpy em seu estado puro.
Tudo é coordenado com naturalidade e sem necessidade de convencer. Desde a relação desengonçada do casal ao chegar em Paris aos encontros com a família da moça (os pais da atriz interpretam eles mesmos no longa e roubam a cena), sabendo medir os temas e os níveis dos diálogos na trama. A história da fotógrafa Marion (Delpy) e do designer norte-americano Jack (Adam Goldberg) seduz na química presente entre os atores principais. Com elementos do cinema de Richard Linklater (Antes do Amanhecer / Antes do Pôr-do-Sol), 2 Dias em Paris ganha cara de versão repaginada de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.
Os clichês do romance estão espalhados na fita, mas sem soar extremamente artificial. Afinal, o amor em si é um verdadeiro clichê com altos e baixos camuflado em conversas corriqueiras. Além de dirigir, produzir e editar a fita, Julie é encarregada da trilha sonora - por isso, preste atenção nos créditos na canção “Lalala” da cantora ao lado do Nouvelle Vague.
2 Dias em Paris (2 Days in Paris, França / Alemanha, 2007)
Direção: Julie Delpy
Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Brühl, Albert Delpy, Marie Pillet, Aleksia Landeau. 96 min.
Numa época em que o cinema de terror, basicamente, sobrevive de continuações e remakes, uma produção espanhola revitaliza e dribla todos os clichês do gênero de forma espetacular e perturbadora.
O Orfanato, produzido por Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno), conta com elementos característicos do gênero. Temos a casa mal assombrada (o orfanato), uma criança com amigos imaginários, memórias de infância, contato com os mortos e uma mãe desesperada em busca de seu filho desaparecido - guiados por um roteiro esperto, trilha sonora assustadora e edição precisa.
A estréia de Juan Antonio Bayona na direção é controlada em cada take assustador, com atuações surpreendentes de Belén Rueda (de Mar Adentro) e Geraldine Chaplin (de Doutor Jivago), provocando tensão até mesmo em espectadores que não se assustam facilmente.
Enquanto o cinema terror norte-americano encontra-se desorientado e excasso de originalidade, uma leva de cineastas hispânicos entregam um brilho renovador ao gênero.
O Orfanato (El Orfanato, México / Espanha, 2007)
Direção: Juan Antonio Bayona
Com: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Geraldine Chaplin. 110 min.
O enredo original de Irina Palm poderia ter sucesso fácil como um filme cômico no estilo Garotas do Calendário. Porém, a escolha do diretor Sam Garbarski de transformar seu projeto numa história dramática, torna o longa numa experiência devastadora e única ao seu espectador.
Poderia começar elogiando o roteiro audacioso e criativo, a trilha musical com guitarras desorientadas e rejeitadas criada pelo Ghinzu, a direção correta de Garbarski ou seu elenco de apoio. Mas não há como, já que o brilho do trabalho está em cada frame que a cantora/atriz Marianne Faithfull surge em cena como Maggie, uma viúva que busca dinheiro trabalhando numa sex shop para a cirurgia de seu neto.
Irina Palm é daqueles filmes que nos faz engolir seco. Principalmente pela situação de sobrevivência que seu personagem principal se encontra e a força que revela diante dos olhos de terceiros em busca de um bem comum.
Irina Palm (Bélgica / Inglaterra / Alemanha / França, 2007)
Direção: Sam Garbarski
Com: Marianne Faithfull, Miki Manojlovic, Kevin Bishop, Siobhan Hewlett, Dorka Gryllus, Jenny Agutter. 104 min.
Quando todos achavam que Julie Christie (inclusive ela) seria a dona do Oscar de Melhor Atriz, uma supresa acontece. O ator Forrest Whitaker chama por Marion Cotillard, de Piaf - Um Hino ao Amor, para receber o prêmio.
A minha sensação de alegria é a mesma que a de Cate Blanchett, quase saltando da cadeira. E eu precisava colocar essa cena aqui.
Cotillard é a segunda atriz a levar a estatueta por uma atuação em um idioma que não o inglês. A primeira foi a italiana Sophia Loren por Duas Mulheres, em 1962.
“Thank you life. Thank you love. And it is true there is some angels in this city”.
Melhor Ator Coadjuvante: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) Melhor Atriz Coadjuvante: Tilda Swinton (Conduta de Risco) Melhor Roteiro Original: Juno Melhor Roteiro Adaptado: Onde os Fracos Não Têm Vez
Melhor Trilha Sonora: Desejo e Reparação Melhor Canção: “Falling Slowly” (Once) Melhor Edição de Som: Ratatouille / O Ultimato Bourne Melhor Mixagem de Som: Transformers / O Ultimato Bourne
PS: Mais tarde venho aqui corrigir as apostas equivocadas.
PS2: Minha aposta de atriz - mesmo Julie Christie (Longe Dela) ser a favorita para o prêmio, é Marion Cotillard a dona da melhor atuação num longa. Isto é fato.
Porto dos Mortos, do diretor e roteirista porto-alegrense Davi de Oliveira Pinheiro, será o primeiro longa-metragem de horror gaúcho. Por ser um estilo cinematográfico pioneiro no Rio Grande do Sul, o cineasta afirmar explorar “uma visão particular do gênero, nunca vista em qualquer parte do mundo”.
Na seqüência, Adriene enfrenta Glutão, o rei dos zumbis, e suas auxiliares. Storyboard da desenhista Gisele Oliveira.
No filme, conhecido internacionalmente como Beyond the Grave, o policial linha-dura Lockheart (Rafael Tombini) persegue Adam, um serial killer à solta em um Brasil devastado. Pelas estradas de um mundo violento, povoado por mortos vivos, o obcecado oficial da lei enfrentará seu demoníaco inimigo.
Teaser trailer de Porto dos Mortos
Entre as influências do cineasta estão Sergio Leone, François Truffaut, William Friedkin, George A. Romero, Richard Stanley e Stephen King. “O script é uma mistura de tudo que eu amo sobre cinema e fantasia, combinado para criar nossa própria mitologia: um filme feito com paixão e criatividade acima de tudo”, explica.
Porto dos Mortos será rodado na capital gaúcha de 14 de fevereiro a 4 de março. Sua estréia nos cinemas está prevista para 2 de novembro.
Em 1999, o cinema independente descobriu a fórmula milionária do amadorismo digital e do marketing na Internet. O produto: A Bruxa de Blair. Quase dez anos depois, Cloverfield trilha os passos da bruxa com suas cenas gravadas em formato caseiro/documental. O filme produzido por J.J. Abrams (de Lost) não tem apenas estratégia similar ao pequeno projeto, como também traça semelhanças na estrutura de sua trama com inovações tecnológicas.
The Blair Witch Godzilla Project, como o longa está sendo chamado, ganha forma numa festa de despedida (preste atenção nas músicas de The Coconut Records, Spoon, Gorillaz, Joan as Police Woman, Kings of Leon, … praticamente uma festa indie - download aqui) interrompida por explosões, prédios que desabam e a cabeça da Estátua da Liberdade rolando pelas ruas de Nova Iorque. A partir daí, é cinema com câmera tremida na mão e histeria para fugir de uma criatura disposta a destruir tudo o que vê pela frente.
A escolha de trabalhar com o documental possibilita que o espectador participe com certo realismo da ação em takes que nunca são os melhores e um elenco que se esforça para convencer. Porém, se o filme peca em quesitos básicos, a primeira leva de efeitos especiais surge para entreter o seu público até o final.
Cloverfield não é um filme ruim, está apenas fora de seu tempo. Com o atraso de uma década.
Cloverfield - Monstro (Cloverfield, EUA, 2008)
Direção: Matt Reves
Com: Michael Stah-David, Lizzy Caplan, T.J. Miller, Jessica Lucas, Anjul Nigam e Mike Vogel. 78 min.
Os Coen ficaram famosos em Hollywood com suas histórias de suspense com humor negro. Perguntei-me muito o que o elogiadíssimo Onde os Fracos Não Têm Vez tinha de tão especial antes de assisti-lo, já que a violência esteve sempre presente no currículo dos irmãos. A diferença desse projeto, em relação aos materiais anteriores, é que temos a dupla em seu trabalho mais cru e maduro sem fugir de seu território.
Baseado na obra de Corman McCarthy, a adaptação dos Coen para o cinema mistura thriller com road movie. Se no aclamado Fargo a violência era transformada em riso contido, as cenas de morte aqui têm poder de silenciar seu espectador como uma presa diante da frieza de seu malfeitor.
A história conta como um caçador (Josh Brolin), ex-veterano do Vietnã, encontra uma fortuna em dinheiro no meio dos corpos de uma venda de drogas que deu errado. A decisão de fugir com a grana faz dele alvo de um assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Barden, como o vilão do ano). Enquanto isso, um policial (Tommy Lee Jones, a alma do filme), perto de se aposentar, procura desvendar a crueldade dos acontecimentos sempre a um passo atrás.
Um dos méritos do projeto é seu elenco, inclusive a coadjuvante Kelly Macdonald que demonstra grande eficiência e brilho próprio. A ausência de trilha sonora, sem a música crescente para ressaltar a intensidade das cenas, e excassez de longos diálogos faz com que o filme leve o seu espectador em direção ao desconhecido e inesperado.
Onde os Fracos Não Têm Vez cresce após a sua exibição. Quando ao recordar dos detalhes da violência, os textos de reflexão, a falta da trilha sonora - como exercício em seu público, a brutalidade crua ou o enigma de seus personagens, deixamos de nos deparar com um simples enredo de mocinhos e bandidos. É um trabalho coeso, sem benefeciar seus personagens, administrado de forma espetacular pelos Coen. Possivelmente, um dos grandes filmes do ano.
Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, EUA, 2007)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald e Beth Grant. 122 min.