Dia das mulheres com elas nos fones de ouvido
Etta James, At Last! (1961)
Etta James é da mesma escola que Billie Holiday e Ella Fitzgerald - jazz, blues e R&B de raíz. São raridades que não podem ser comparadas e recriadas por artistas atuais do gênero como Norah Jones e cia.
Etta canta o amor com pureza, sinceridade e é isso que At Last! é: um disco bonito e vigoroso que transforma questões delicadas em sinfonia. A faixa título encontra paz quando a cantora parece estar “finalmente” de bem com seu amor, diferente de em “All I Could Do Was Cry”. Destaque para a extravagante “I Just Want to Make Love to You” com a malícia tomando conta dos versos. Além da intensa voz de James, o álbum apresenta belíssimos arranjos que dão um toque especial para cada uma das composições.
Dica de download: “At Last”, “A Sunday Kind of Love” e “Stormy Weather”.
Joni Mitchell, Blue (1971)
Nesta lista, Blue talvez seja o que carrega um título muito importante: o de clássico.
Há poesia em cada uma de suas canções que refletem a solidão, o amor e o afastamento. Suas faixas são pequenas feridas a serem cicatrizadas através dos acordes de piano (“Blue” e “River”), no violão folk (acústico) de “California” e “A Case of You” e pela voz equilibrada de Mitchell. Não é a toa que até hoje, o trabalho é considerado uma obra-prima pelos mais diversos artistas.
Dica de download: “All I Want”, “California” e “A Case of You” (MP3).
Madonna, Like a Prayer (1989)
Like a Prayer é referência na carreira de Madonna. Desde a polêmica faixa título, passando pelos arranjos infatis de “Dear Jessie” (homenagem à filha do produtor Patrick Leonard) que acabam se fundindo na canção “Oh Father” - onde ouvimos a cantora fragilizada aos versos de “You can’t hurt me now / I got away from you, I never thought I would / You can’t make me cry, you once had the power / I never felt so good about myself”.
O disco equilibra tristeza com momentos mais para cima como “Cherish”, “Till Death Do Us Part” e “Express Yourself”. Engraçado é perceber que quase vinte anos se passaram e as canções continuam atuais.
Dica de download: “Cherish”, “Like a Prayer” (vídeo) e “Till Death Do Us Part”.
Annie Lennox, Diva (1992)
Annie Lennox construiu sua carreira no Eurythmics antes de seguir o caminho que vários almejam: a carreira solo. “Why” parece nunca ter perdido o seu posto de uma das baladas mais bonitas dos anos 90. Mas, se tem alguma coisa que caracteriza Diva é “Walking on Broken Glass”, especialmente em seu piano destacado e videoclipe com Ligações Perigosas como referência.
“Little Bird” lembra a fase do grupo, enquanto “Cold” se concretiza como poesia em trechos como: “Dying is easy it’s living that scares me to death”.
Dica de download: “Little Bird” (vídeo), “Walking on Broken Glass” e “Cold”.
Aimee Mann, I´m With Stupid (1996)
“You fucked it up”. É assim que Aimee Mann começa a soltar o verbo na primeira faixa (“Long Shot”) de I´m With Stupid. Apesar das melodias serem um tanto alegres, o mesmo não pode ser dito de suas letras.
As baladas merecem destaque. “Par For The Course” insiste no refrão “I don’t even know you anymore” soando repetitivo e convincente; ou na contribuição de Juliana Hatfield (backing vocals) na estrutura melódica de “You Could Make a Killing” e “Amateur”.
I´m With Stupid, lançado antes de Aimee Mann se tornar popular com a trilha sonora de Magnólia, entra tranqüilo nesta lista. Pode parecer um trabalho muito triste, mas procure ouvir “Superball” e se conter nas palminhas!
Escute: “Par For The Course”, “You Could Make a Killing” (MP3) e “Superball”.
Paula Cole, This Fire (1996)
This Fire traz a seguinte frase em seu encarte: “Eu recomendo tocar esse disco bem alto. Espero que ele o leve a uma jornada”. Este é o espírito que define um dos melhores discos dos anos 90. Uma viagem de letras introspectivas, violentas e melodias cativantes.
“Mississippi” é conduzida com tanta expressão e força, pelos gritos e instrumentos, que faz eu pensar em Paula Cole como uma das vozes mais poderosas da música contemporânea. A cantora tem facilidade em sair de um tom agudo e saltar a um gravíssimo, como acontece em “Throwing Stones” - letra e melodia funcionam como uma briga feia entre duas pessoas, nos versos “So call me a bitch in heat and I’ll you a motherfucker and we’ll throw stones until we’re dead”.
Mesmo carregando o fardo de dona de “one hit wonder” - devido ao sucesso da faixa “I Don´t Want to Waint” no seriado Dawson´s Creek, This Fire é peça rara no mundo fonográfico atual.
Escute: “Throwing Stones”, “Mississippi” e “Me” (vídeo).
Tori Amos, From the Choirgirl Hotel (1998)
Ao vivo, Tori Amos é uma mulher de cabelos vermelhos que canta como uma louca e desliza suas mãos de forma ágil sobre o piano. Difícil selecionar um discos de sua carreira, mas From the Choirgil Hotel parece ser uma excelente escolha.
Neste trabalho é a primeira vez que a cantora aparece acompanhada de uma banda, o que acaba dando mais vida (mesmo tratando de assuntos como o aborto que sofreu - relatado na faixa “Spark”) para o álbum. E o que seria de Tori sem a fantástica e dançante “Raspberry Swirl”? From the Choirgirl Hotel é muito mais que um disco. Trata-se do processo evolutivo de uma artista.
Dica download: “Raspberry Swirl” (vídeo), “She´s Your Cocaine” e “Cruel”.
Fiona Apple, When the Pawn… (1999)
When the Pawn… entrou para a história do rock como o disco de maior nome - When The Pawn Hits The Conflicts He Thinks Like A King What He Knows Throws The Blows When He Goes To The Fight And He´ll Win The Whole Thing ´Fore He Enters The Ring There´s No Body To Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand And Remember That Depth Is The Greatest Of Heights And If You Know Where You Stand, Then You Know Where To Land And If You Fall It Won´t Matter, Cuz You´ll Know That You´re Right.
Cada composição é uma obra de arte. Desde os ritmos alucinantes de “Fast as You Can” à distorção de “Get Gone”, passando pela agressividade de “Limp” e a leveza de “I Know” e “Love Ridden”; sem esquecer a magia de “Paper Bag”, uma das primeiras músicas da cantora que passa um espírito alegre e infantil. Fiona Apple é puro talento e provou em seu segundo álbum isso.
Dica de download: “Paper Bag” (vídeo), “Fast as You Can” e “Limp”.


Março 8th, 2008 às 1:56 pm
Quanta coisa boa. “When The Pawn…” é meu preferido da Fioninha, hehe. Que disco perfeito. Da Tori eu ainda fico com “Scarlet’s Walk”, mas não há como dizer que “FTCH” foi um marco na carreira dela.
Março 8th, 2008 às 6:06 pm
Só coisa de responsa hein? Adorei tudo, mas fiquei super-contente de ver o disco da sumidíssima Paula Cole. Ouvi tanto esse THIS FIRE, fez parte da minha vida. Adoro ROAD TO DEAD - é a melhor música de James Bond fora de um filme de 007.
Março 8th, 2008 às 8:06 pm
Também eu fico contente em ver o álbum This Fire nessa lista. Depois desse álbum ela compôs Amen, um álbum maravilhoso, mas que a crítica não aceitou tão bem, mas que possui uma participação de Lisa “Left Eye” Lopes (TLC) e as faixas “I believe in love” e “Pearl”. No ano passado e após ter deixado a carreira, voltou com o álbum “14″ que vale a pena ouvir, um grande regresso.
Março 8th, 2008 às 9:56 pm
Bah! o da Ella é nota 1000! tô direto escutando, assim como o da Aimée Mann - que é de uma siuavidade fora de série. Da lista só não conheço de forma satisfatória ainda a Tori Amos. Vou procurar.
Março 9th, 2008 às 5:29 pm
Teco, eu preciso ter umas aulinhas com você! Não conheço nenhum desses albúns, embora conheça as cantoras (com a exceção de Etta James, Paula Cole e Fionna Apple, que nunca ouvi uma música).
E esse álbum da Fiona precisava ter um título tão grande assim?
Março 10th, 2008 às 12:39 am
Tá faltando a Alanis!
Hehehehe
Março 10th, 2008 às 9:22 am
Boas vozes, boas lembranças…
Sei que foi uma seleção pessoal, mas sinto falta de alguns nomes importantes e talentos idem como Alanis Morissette e PJ Harvey.
abs!
Março 10th, 2008 às 3:38 pm
Teco,
adoro a Mitchell, baixei “A case of you” na hora em que vi. Sou doido por esse cd (Blue), mas o preço do importado é demais. E “Cold” da Lennox é a minha preferida desse cd.
Abração