Onde os Fracos Não Têm Vez





Os Coen ficaram famosos em Hollywood com suas histórias de suspense com humor negro. Perguntei-me muito o que o elogiadíssimo Onde os Fracos Não Têm Vez tinha de tão especial antes de assisti-lo, já que a violência esteve sempre presente no currículo dos irmãos. A diferença desse projeto, em relação aos materiais anteriores, é que temos a dupla em seu trabalho mais cru e maduro sem fugir de seu território.
Baseado na obra de Corman McCarthy, a adaptação dos Coen para o cinema mistura thriller com road movie. Se no aclamado Fargo a violência era transformada em riso contido, as cenas de morte aqui têm poder de silenciar seu espectador como uma presa diante da frieza de seu malfeitor.

A história conta como um caçador (Josh Brolin), ex-veterano do Vietnã, encontra uma fortuna em dinheiro no meio dos corpos de uma venda de drogas que deu errado. A decisão de fugir com a grana faz dele alvo de um assassino profissional, Anton Chigurh (Javier Barden, como o vilão do ano). Enquanto isso, um policial (Tommy Lee Jones, a alma do filme), perto de se aposentar, procura desvendar a crueldade dos acontecimentos sempre a um passo atrás.
Um dos méritos do projeto é seu elenco, inclusive a coadjuvante Kelly Macdonald que demonstra grande eficiência e brilho próprio. A ausência de trilha sonora, sem a música crescente para ressaltar a intensidade das cenas, e escassez de longos diálogos faz com que o filme leve o seu espectador em direção ao desconhecido e inesperado.

Onde os Fracos Não Têm Vez cresce após a sua exibição. Quando ao recordar dos detalhes da violência, os textos de reflexão, a falta da trilha sonora – como exercício em seu público, a brutalidade crua ou o enigma de seus personagens, deixamos de nos deparar com um simples enredo de mocinhos e bandidos. É um trabalho coeso, sem benefeciar seus personagens, administrado de forma espetacular pelos Coen. Possivelmente, um dos grandes filmes do ano.
Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, EUA, 2007)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald e Beth Grant. 122 min.


February 2nd, 2008 às 11:06 am
Gostei muito (mesmo) do filme até sua última cena. Sei que o desfecho tem tudo a ver com o título original, mas não deixou de ser frustrante – nada contra esse tipo de final, aliás adoro, mas para mim não funcionou aqui. Ainda assim é um grande filme mesmo, bom ver os irmãos Coen serem reconhecidos – ainda que não seja pelos seus melhores trabalhos.
Abraço!
February 2nd, 2008 às 9:42 pm
Vinícius: Não vejo nenhum problema com o final de “Onde os Fracos…”. Todos os personagens principais tiveram seus desfechos estabelecidos e sobe os créditos. A última cena, com o Tommy Lee Jones, coloca tudo o que já estava estabelecido desde a primeira aparição dele na tela. Então, não me incomoda aquela cena. Talvez, como falei no texto, o filme ainda vai crescer em você com o tempo.
E para mim, um dos filmes mais bacanas dos Coen é “Gosto de Sangue”.
February 3rd, 2008 às 12:52 pm
Ah, “Gosto de Sangue” é meu filme preferido deles ao lado de “O Homem que Não Estava Lá” e a obra-prima “Fargo”. Abs!
February 24th, 2008 às 2:00 pm
[...] Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez Melhor Diretor: Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez) Melhor Ator: Daniel Day Lewis [...]
April 29th, 2008 às 10:47 pm
[...] irmãos Coen, ganhadores do Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez, trabalham em seu novo filme: Burn After [...]
May 12th, 2008 às 3:19 pm
[...] Esta é a primeira imagem de Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez) como George W. Bush e Elizabeth Banks como a primeira-dama Laura Bush no filme W de Oliver Stone. [...]